A Presidente da Assembleia da República não gostou dos protestos dos funcionários públicos e desempregados que ocorreram nas galerias de S. Bento e deu ordens, vociferando a plenos pulmões, para eles se retirarem.
Conseguiu mesmo, num autêntico destempero colérico, gritrar uma boa oitava acima do clamor que se soltava das várias dezenas de contestatários.
Conseguiu mesmo, num autêntico destempero colérico, gritrar uma boa oitava acima do clamor que se soltava das várias dezenas de contestatários.
Independentemente de estar solidário com as vozes que clamavam contra quem apoia o governo, importa reconhecer que a presidente da AR desempenhou o seu papel, não obstante o estilo não ser o mais elegante.
Aliás, apesar de também ela ser funcionária pública, aposentada, não consigo imaginá-la, por exemplo, junto dos colegas, nas galerias, a clamar, “25 de Abril sempre!” e “Fascismo nunca mais!”,
Ou seja, a senhora esteve no seu lugar e correspondeu ao que dela esperavam os que a designaram, para vir a ser eleita presidente.
Ou seja, a senhora esteve no seu lugar e correspondeu ao que dela esperavam os que a designaram, para vir a ser eleita presidente.
Estupefacto e de que maneira, fiquei eu quando soube que, aquela que é a segunda figura do estado, teve o desplante de citar a escritora e filosofa Simone Beauvoir, dizendo que “não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes.».
Convenhamos que Assunção Esteves, não obstante a sua carreira académica e profissional, não passa de uma loira ao pé de Simone Beauvoir -que era morena-... e não creio que seja suficiente, vir agora atenuar a bojarda com a justificação esfarrapada, de que se tratou de uma metáfora.
É que, comparar cidadãos e espoliados e revoltados, com criminosos nazis, constitui uma afronta intolerável.
Convenhamos que Assunção Esteves, não obstante a sua carreira académica e profissional, não passa de uma loira ao pé de Simone Beauvoir -que era morena-... e não creio que seja suficiente, vir agora atenuar a bojarda com a justificação esfarrapada, de que se tratou de uma metáfora.
É que, comparar cidadãos e espoliados e revoltados, com criminosos nazis, constitui uma afronta intolerável.
E já que a presidente da AR gosta tanto de mencionar a filosofa, aqui fica uma outra citação, esta sim, perfeitamente adequada ao que se passou nas galerias: “É horrível assistir à agonia de uma esperança”.
Só que, como é óbvio, esse registo é demasiado incómodo para a maioria de que a ilustre citadora faz parte.
Apostila: Não retirei este poste, mas introduzi a adenda que se impunha.
Só que, como é óbvio, esse registo é demasiado incómodo para a maioria de que a ilustre citadora faz parte.
Apostila: Não retirei este poste, mas introduzi a adenda que se impunha.