Um Cavaco, mesquinho, inculto e rústico, decidiu que hoje era dia de condecorações e agraciou duas figuras destacadas da burguesia residente:
Um representante bolorento do que resta da "nossa" (vade-retro) aristocracia decadente, antigo sub-subsecretário de estado da koltura, de nome Sousa Lara, figura de almanaque, petulante e caricata que, enquanto personagem residual da “corte” --azul no sangue, no blazer e no lápis censor-- assumiu-se como uma réplica laica e serôdia do clero, no papel de um Frei Bartolomeu Ferreira, ressuscitado, quando pretendeu fazer com Saramago, muito pior do que aquele inquisidor terá feito com Camões.
Afinal, não foi além do papel de um grotesco nobre-frade, a quem se poderia acrescentar um "u" depois do "a", para melhor o retratar.
Ao cabo e ao resto, mais fraude menos frade, era tudo uma questão de 'hábito', num tempo propício à censura.
Coitado, nem sequer tem perfil para figurar numa efígie descolorida de brasão, perdido num qualquer compêndio de heráldica, que, ao que consta, é a sua especialidade.
O outro, conhecido por ser um preopinante diplomado e distinto especialista em "parafusos sem porcas", o omnisciente Nuno Rogeiro.
Só que esta condecoração parece fazer algum sentido, até porque já o vimos sair de um avião de combate e mais tarde entrar num submarino nuclear.
Entre os dois episódios deixou de exibir as exóticas madeixas arruivadas e ficou cheio de respeitáveis cãs. A guerra é dura!...
Distinguem-se ambos do agraciador porque conhecem as regras da etiqueta palaciana e do jet set e mastigam com a boca fechada.
