Os Estados Unidos constituem -ainda- o único império contemporâneo, portanto, o mais influente, o maior consumidor e manipulador e o mais devastador e poluidor do mundo.
O país hegemónico no qual, a lógica da guerra de destruição e reconstrução, é o que move a economia, quando conduzida pelo partido republicano e pelo Complexo Industrial Militar. São também, a "América" profunda, racista e ignorante, que até já foi dividida pela escravatura e na qual a Ku Klux Klan permanece como uma "importante" organização, com cada vez mais neonazis e neofascistas e onde as minorias continuam a ser segregadas.
Simultaneamente, continuam a ser o grande "Eldorado" em que, não obstante, existem cada vez maiores franjas de pobreza, postergadas pelo chamado american way of life.
Com este quadro de referências, não será fácil, para um afro descendente, vir a tornar-se o próximo “imperador”, sobretudo, porque, ao que tudo indica, pretende estabelecer uma estratégia de ruptura com o que o precede.
Haverá pois muitas razões, sobejamente conhecidas e melhor tratadas noutras páginas da blogsfera, para apostar no candidato democrata, apesar de nada nos garantir que será uma aposta bem sucedida e não passaremos, num mandato de Obama, por algumas das decepções vividas nos anos 90 com Clinton.
Não se trata, nem de longe, de uma candidatura genuinamente de esquerda, é apenas por ela apoiada, mas os sinais encorajadores vêm do deslocamento que impõe ao debate político e só um cínico se recusaria a ver que há sinais inspiradores de mudança no horizonte.
Daí que eu, caucasiano, de esquerda, não engajado, esteja a torcer por Obama, porque ele é transcendente à questão do preconceito e afirma pretender desmontar a retórica do medo e porque alimento a esperança que possa vir a ser a imagem de um povo capaz de se reciclar, para que, por sua vez, o mundo o possa fazer.
Se me enganar não será a primeira vez e também não será a última. Da falta de embustes não me queixo…