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19/08/14

Sem e com cinismo.

Sem cinismo: Os tipos do Hamas são uns facínoras, sunitas fanáticos e assassinos compulsivos, que querem pôr fim ao estado legitimo de Israel. 
Com cinismo: Hoje acertaram mais três rockets numa zona desabitada e Netanyahu interrompeu as conversações de paz.

                                         Gaza

Sem cinismo: Os Yasidis do norte do Iraque que foram convenientemente desprezados, pelos novos Godofredos: Bush, Blair eAznar (incluindo o homúnculo Barroso), à época mais interessados em atestar o depósito, do que em preocupar-se com uma minoria que professa uma religião exótica e inofensiva, estão a ser vítimas das maiores atrocidades perpetradas pelos islâmicos fanáticos do Isis.
Com cinismo: Esta chacina surge na altura própria para despertar algumas consciências mais distraídas. Sim porque, convenhamos, uma criança que morre sob os escombros de uma casa bombardeada por gente civilizada, não é comparável a outra criança assassinada por uma horda de bárbaros irracionais. 


                                                       Iraque


18/11/12

Gaza e a História escamoteada


A existência de Gaza deveria servir como lembrete permanente para o Mundo Livre, das centenas de milhares de palestinos que perderam os seus lares e fugiram ou foram expulsos com medo da limpeza étnica que Israel conduziu há 60 anos, quando necessitava de espaço para fixar as multidões de refugiados que, após a derrota do nazismo, ainda vagueavam pela Europa. 
Mas não, tem sido muito fácil e, sobretudo, cómodo, desconsiderar a história dos palestinos e iludir a verdadeira dimensão da sua tragédia, evitando mencionar a grotesca ironia sobre o que verdadeiramente se passa. Preferindo, hipocritamente, enfatizar o facto de um bando de islâmicos anti-semitas barbados, usar os cortiços de Gaza para disparar mísseis contra Israel e justificar os massacres levados a efeito pelos falcões do outro lado.
Gaza existe, porque os palestinos de Ashkelon (Askalaan) e dos campos vizinhos, foram expulsos das suas terras em 1948, quando o estado de Israel foi criado, e terminaram nas praias de Gaza, que passou a ser uma sucursal do inferno até hoje.
Eles ou os seus filhos, netos e bisnetos estão entre os 1,5 milhões de palestinos que moram amontoados na fossa fétida de Gaza, onde foram encurraladas 80% das famílias que um dia viveram nas terras que hoje pertencem a Israel.
Esta é a parte normalmente escamoteada do problema. Em termos históricos: a maioria dos habitantes de Gaza não é de Gaza, mas é em Gaza que, aglomerado na região mais superpovoada do planeta, vive um povo que vegeta entre lixeiras e esgotos e se torna facilmente um viveiro de recrutamento para organizações fanáticas. 
Um povo que, tal como o israelita cujo direito à existência é legítimo e não se discute, aspira a ter uma vida digna e livre, sem necessidade de ser submetido ou submeter. 

12/01/09

O Triunfo da morte

............Peter Brueghel. O Triunfo da Morte

Esta noite sonhei com Brueghel é o título de um notável romance de Fernanda Botelho. Pois bem, esta noite, também eu sonhei com uma das obras mais marcantes, daquele que é um dos meus pintores predilectos, só que não se tratou própriamente de um sonho, foi mais um pesadelo, que envolvia as 257 crianças que morreram na faixa de Gaza.
O "Triunfo da Morte” é muito adequado aos dias de hoje. Mas, sejamos justos, adequa-se a qualquer período histórico do ser humano.