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07/12/13

Justificações mal amanhadas

Hoje, em pleno Cavaquistão (só podia), o presidente procurou justificar a posição de Portugal aquando da votação na ONU e tartamudeou algumas desculpas esfarrapadas, por ter, servilmente, alinhado ao lado de Thatcher e de Reagan.
Na verdade, a maioria dos colonos portugueses era racista e toda a Africa do Sul sabia que apoiava o Apartheid, pelo que não seria o voto do governo que iria causar-lhe problemas.
Aliás, não deixa de ser um paradoxo que ele tenha dito e repetido que o seu governo exigia a libertação de todos os presos políticos:
«Participei pelo menos numa dezena de Conselhos Europeus em que se discutiu a situação na África do Sul e o apelo para a libertação de Mandela e outros presos políticos. E a posição de Portugal foi sempre clara, do princípio ao fim. Nós exigimos a libertação dos presos políticos, queremos o fim do apartheid, mas não queremos a luta armada»
Quando todos sabemos que, quando os havia no nosso pais, ao tempo da ditadura, nunca se lhe conheceu um gesto ou uma palavra de repúdio (nunca mexeu uma palha, para usar o léxico cavaquês) por essa realidade abjecta, bem pelo contrário, o que se sabe é que ele era uma pessoa perfeitamente integrada no regime.
Não sei se há elevadores no palácio de Belém ou na travessa do Possolo, mas prevejo que, se os houver, o presidente vai, à cautela, optar pelas escadas, não vão aqueles entrar em queda livre. por excesso de peso na consciência do ocupante...


J.Deus Pinheiro -variante bonsai- decidiu dar uma de erudito e qualificou Nelson Mandela, de Príncipe da Renascença. Metáfora a atirar para o pernóstico e de efeito ridículo -mais um esforço "intelectualoide" e recuava aos tempos Bíblicos.
Aqui está outro dos que sente pruridos na consciência pela posição tomada aquando da votação  na ONU sobre a libertação de Mandela.
Para agravar a postura caricata, o homem, cuja mediania enquanto estadista, pese alguns panegíricos com perfume de encomenda, foi sobejamente comentada em Bruxelas, quando era conhecido como le bon vivant da Grand-Place, responsabiliza agora (corajosamente...) o embaixador ou um Director Geral e, assim, tenta passar ao lado do buraco.
A propósito de buraco, este golfista de segunda (diplomata nas horas vagas) não acerta um shot, fica sempre bem acima do par -nem sequer um doubley boggey- e, também por isso, conseguiu ser constantemente batido pelo outro caddie (?), o Durão Barroso da Comissão Europeia, conhecido no meio por Mr. Banalidades, que, após ser conhecida a notícia do falecimento de Nelson Mandela, proferiu uma patética alocução de choramingas e só pecou por não ter conseguido derramar uma lágrima rebelde, para dar mais credibilidade ao "olhar vidrado" que exibia.

Poderá também ter interesse em:   O golfista             Rima            Há popós e...   


Modificado

Sounds of Saturday CCVIII

   
Nina Simone & Miriam Makeba                                             Nelson Mandela &Johnnny Clegg: Asimbonanga       
Thualasizwe/I shall be released


06/12/13

Hipocrisia

Foi com profunda consternação que tomei conhecimento da notícia do falecimento de Nelson Mandela, figura maior da África do Sul e da História mundial. Quero, em meu nome pessoal e em nome do Povo Português, apresentar a Vossa Excelência, ao Povo sul-africano e à Família enlutada, os sentimentos do nosso mais profundo pesar(...)

Rejeito com toda a veemência ter o "meu nome" incluído nesta mensagem de condolências -manifesto o meu sentido pesar de maneira distinta- porque não preciso de ser representado por um individuo que, ao tempo em que era presidente do conselho, teve a sem-vergonha de dar instruções para que Portugal votasse contra a libertação de Nelson Mandela (1987) e contra os direitos das crianças vítimas do apartheid (1989).

                         
                                               Imagem daqui

Apostila: Este poste não pretende comentar, aqui e agora, as supostas condicionantes que, à época, induziram o sentido do voto na ONU -o qual fala por si- mas sim,  a verborreia hipócrita e factícia  e a postura de carpideira que enformam a mensagem.

05/12/13

Madiba: Um herói do nosso Tempo

                                   Nelson Mandela 18/07/1918 - 05/12/2013


                    Marco Cianfanelli                                              

Um monumento concebido para perpetuar a figura de Nelson Mandela. Um herói do nosso Tempo que hoje (não) nos deixou.
São 50 placas de aço com 10 metros de altura, cortadas a laser e inseridas na paisagem, representando o 50.º aniversário da sua captura e prisão em 6 de Agosto de 1962, no próprio local onde tal sucedeu, e que lhe custaria 27 longos anos de cárcere.
Num ângulo específico de observação, a visão em perspectiva das colunas surpreende ao assumir a imagem de Madiba.