30/09/13

Os que lutam


"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Bertolt Brecht

Que força esta Amigo! Porque para além das convicções, estar à esquerda é também um descomprometimento livre e solidário.


28/09/13

Sounds of Saturday CXCVIII


Ane Brun: My lover will go

"estórias"

- Papá todas as histórias começam por: "Era uma vez"?
- Não filho! Algumas começam  por: Se for eleito prometo-vos que...

25/09/13

Moda alemã

                                   Erlich

Angela mãos de tesoura. Corte e costura.

24/09/13

Um homem que vê...


António Arnaut, "Pai" do Serviço Nacional de Saúde, aguarda há seis meses em lista de espera, por uma cirurgia às cataratas. Recusa favores e rejeita ser operado no sector privado.
Um grande Homem, vertical, íntegro e intacto, que  "vê" mais sozinho do que a camarilha ignóbil que quer destruir o SNS toda junta.

23/09/13

Po(st)emas XXXI

De um grande poeta da língua portuguesa, António Ramos Rosa, que hoje partiu em espirais de espuma, um poema que ocupa um lugar especial na Tese de Doutoramento de alguém que me é muito querida.

Abstracto e material como o vento
espadanando em espirais de espuma
rasando os muros decrépitos com veios de ouro
roçando aereamente as vagarosas copas
ou envolvendo-se no tecido translúcido das nuvens
o poema é um sistema de nervos e de músculo
que fluem entre pausas com o veludo do seu sangue
como um peixe flexível e sinuoso e lento
Ele alheia-se do mundo para perspectivá-lo
segundo as suas linhas de surpresa e harmonia
E tal como o vento que sulca o visível e o acende
move a matéria da sensação em sucessivos arcos
e ilumina-a com o seu fogo abstracto em que se encarna o desejo
Por isso o poema é uma tensão constante
entre o que se sente e a sua lingua de vento
que modela a palavra com seu virtuosismo de insecto.
António Ramos Rosa

22/09/13

O "n" faz a diferença

A propósito: Há políticos que atacam o enriquecimento ilícito, ao contrário de outros que atacam no enriquecimento ilícito.

21/09/13

18/09/13

Carreirismo


MárioHenrique Leiria & Mário Viegas: Carreirismo

16/09/13

"Yo no canto por cantar..."

Homenagem de Bruce Springsteen a Victor Jara, o cantautor de El derecho de vivir en paz, a quem os militares golpistas chilenos esmagaram as mãos com as coronhas das espingardas e assassinaram com quarenta e quatro tiros faz hoje precisamente quarenta anos.

 
Bruce Springsteen - Manifiesto (Victor Jara) - Santiago, Chile

Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz,
canto porque la guitarra
tiene sentido y razón.

Tiene corazón de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas.

Aquí se encajó mi canto,
como dijera Violeta,
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas

Que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morirá cantando
las verdades verdaderas

No las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una lonja
hasta el fondo de la tierra.

Ahí donde llega todo
y donde todo comienza,
canto que ha sido valiente
siempre será canción nueva.
Víctor Jara

Tipos ideais de candidatos


A propósito desta impostura que é a designação e imposição de candidatos a autarcas e sem querer entrar em generalizações simplistas, susceptíveis de serem mal interpretadas, lembrei-me de ter lido em tempos esta frase lapidar e acima de tudo adequada ao momento:
«Há quatro tipos ideais: O cretino, o imbecil, o estúpido e o palerma.
O normal, é a mistura equilibrada dos quatro.»
Umberto Eco

15/09/13

Po(st)emas XXX

Balada para um Homem na Multidão

Este homem que entre a multidão 
enternece por vezes destacar 
é sempre o mesmo aqui ou no japão 
a diferença é ele ignorar. 

Muitos mortos foram necessários 
para formar seus dentes um cabelo 
vai movido por pés involuntários 
e endoidece ser eu a percebê-lo. 

Sentam-no à mesa de um café 
num andaime ou sob um pinheiro 
tanto faz desde que se esqueça 
que é homem à espera que cresça 
a árvore que dá dinheiro. 

Alimentam-no do ar proibido 
de um sonho que não é dele 
não tem mais que esse frasco de vidro 
para fechar a estrela do norte. 
E só o seu corpo abolido 
lhe pertence na hora da morte. 

Natália Correia,
in "O Vinho e a Lira"

14/09/13

Sounds of Saturday CXCVI


Juan Manuel Serrat: Cada loco com su tema

Cada loco con su tema
contra gustos no hay disputa
artefactos, bestias, hombres y mujeres
cada uno es como es,
cada quien es cada cual.
Y baja las escaleras como quiere
pero puestos a escoger... soy partidario. 
De las voces de la calle
más que del diccionario.
me privan más los barrios
que el centro de la ciudad.
y los artesanos más
que la factoría.
la razón que la fuerza
el instinto que la urbanidad.
y un siux más
que el séptimo de caballería.
Prefiero los caminos a las fronteras
y una mariposa al rockefeller center
y alfarero de capdevera al vigía de occidente.
prefiero querer a poder,
palpar a pisar;
ganar a perder,
besar a reir,
bailar a desfilar,
y disfrutar a medir.
prefiero volar a correr,
hacer a pensar;
amar a querer,
tomar a pedir,
antes que nada soy
partidario de vivir.
Cada loco con su tema
contra gustos no hay [ni puede haber] disputa
artefactos, bestias, hombres y mujeres
cada uno es como es,
cada quien es cada cual.
Y baja las escaleras como quiere 
pero puestos a escoger... prefiero

un buen polvo a un rapapolvo
y un bombero a un bombardero,
crecer a sentar cabeza,
prefiero la carne al metal;
y las ventanas a las ventanillas,
el lunar de tu cara
a la pinacoteca nacional
y la revolución
a las pesadillas.
Prefiero el tiempo al oro,
la vida al sueño,
el perro al collar,
las nueces al ruido,
y al sabio por conocer
que a los locos conocidos.
prefiero querer a poder palpar, a pisar;
ganar a perder,
besar a reir,
bailar a desfilar,
y disfrutar a medir.
prefiero volar a correr,
hacer a pensar;
amar a querer,
tomar a pedir,
antes que nada soy... partidario de vivir.

Juan Manuel Serrat

13/09/13

Este não vai lá nem com açaimo!..

- Morde?
- Não, mas atraiçoa, mente, rouba, explora, tortura e mata!

Imagem: humor indignado

11/09/13

Onzes de Setembro

"Vale a pena morrer pelas coisas sem as quais não vale a pena viver."
Salvador Allende

As sangueiras dos 11 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile e de 2001 em Nova York, cada uma com o seu significado próprio, mas ambas fruto da bestialidade (des)humana parida pelos ventres, de novo fecundos, do fascismo e do fundamentalismo religioso, representam sem margem para equívocos, o triunfo da barbárie que continua a imperar no mundo actual.
Tal como esta, outras datas ao longo do ano constituem efemérides de acontecimentos, cuja crueldade e violência deveriam constituir para os homens razão sobeja para parar e pensar até onde podem conduzir, a manutenção a qualquer preço de privilégios imorais e de desigualdades inaceitáveis, bem como a intolerância e o fanatismo elevados ao nível da mais completa irracionalidade.
É tempo de dizer basta ao grito de “Viva la muerte”, denunciado na terrivelmente bela "Guernica" de Picasso, que em cada 11 de Setembro nos ecoa aos ouvidos e nos recorda os horrores perpetrados pelos mandantes e seus matadores, em duas demonstrações iníquas do mais absoluto desprezo pela liberdade, pela paz e pelos direitos do homem.


Pablo Milanes & Silvio Rodriguez

10/09/13

O ex-lobo que quer virar cordeiro


O PS gosta muito de efabulações e decidiu recorrer a "duas"  personagens famosas, ainda que descontextualizadas, já que se trata de uma figura única, de uma conhecida fábula de Esopo,
Vem esta "estória" a propósito do candidato que o partido escolheu para liderar a Câmara de Cascais, João Cordeiro, antigo presidente da Associação Nacional de Farmácias, que durante o tempo do seu mandato, terá sido acometido de uma suposta crise de licantropia e desenvolveu de forma continuada, uma postura lupina, quando, mais do que contestar, uivou, sistematicamente, com a ferocidade de um autêntico lobo, contra o Serviço Nacional de Saúde .
Agora parece que lhe quer despir a pele, mas se os eleitores socialistas tiverem boa memória e duvidarem da "nova lua", não acredito que se deixem levar pelos seus (dele) pézinhos de lã...

08/09/13

Por supuesto, perdón, of course!...



Madrid não conseguiu ser a cidade designada para realizar os Jogos Olímpicos de 2020. Que pena!
Com esta fluência em "inglês" a Alcadesa tinha lugar garantido no pódio.

Poderá também ter interesse em:    Habla usted...

07/09/13

Sounds of Saturday CXCV


 Elis Regina: Atrás da porta (Chico Buarque & Francis Hime)

Elis Regina interpretou de uma maneira espantosa e dilacerante, uma canção de amor e ódio capaz de emocionar até aos limites.
Quem mais cantou e canta assim?

Quando olhaste bem nos olhos meus, 
E o teu olhar era de adeus. 
Juro que não acreditei. 
Eu te estranhei, me debrucei, sobre teu corpo,
E duvidei, e me arrastei, e te arranhei,
E me agarrei nos teus cabelos, nos teus pelos, 
Teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, 
Sem carinho, sem coberta, 
No tapete atrás da porta, 
Reclamei baixinho. 

Dei p'ra maldizer o nosso lar, 
P'ra sujar teu nome, te humilhar, 
E me vingar a qualquer preço.
Te adorando pelo avesso. 
Só pra mostrar que ainda sou tua. 
Até provar que ainda sou tua.

Chico Buarque

06/09/13

Conclusão óbvia

Quando o patriotismo é o que faz um homem pobre de um país combater e matar um homem pobre de outro país,  podemos concluir que ser patriota é ser idiota.

04/09/13

Indiferença in diferença





À beira-mar, uns vivem outros não: Enquanto os turistas gozam a praia o refugiado morre na praia.

02/09/13

Amanhecer tranquilo


Philip Glass: Morning passages


Devagar, muito devagar  -de que outra forma poderia ser?-  percorro a vereda que me leva à frescura matinal do leito do Tejo e deleito-me com com a sonoridade liquida de Philipp Glass, enquanto contemplo a imagem onírica da outra margem entre as árvores. 

Po(st)emas XXIX

O RIO

Ser como o rio que deflui 
Silencioso dentro da noite. 
Não temer as trevas da noite. 
Se há estrelas no céu, refleti-las 
E se os céus se pejam de nuvens, 
Como o rio as nuvens são água, 
Refleti-las também sem mágoa 
Nas profundidades tranqüilas.

Manuel Bandeira