Faz tempo que se escrevia com “i”, depois passou a ser com “e”, mas, como sempre, antes e agora, mãe há só uma.
Sendo que aos “filhos da mãi” sobrevieram os “filhos da mãe”, tantos que, como sói dizer-se, são mais do que as mães.
Alguns deles, não obstante a posição destacada que ocupam, cometeriam um autêntico «palavricídio», se escrevessem como falam, tal é a escassez de domínio da língua, a dicção deplorável e a módica dimensão intelectual que evidenciam.
Atrevo-me pois, a alinhavar umas ideias sobre o assunto, sem outro intuito para além de marcar a minha posição de simples escrevinhador.
Confesso algum desconforto em adoptar as modificações introduzidas e experimento mesmo uma certa relutância em interiorizar, por exemplo, a queda das consoantes mudas.
Todavia, não consigo espicaçar-me a repudiar liminarmente a nova realidade que se perfila diante de nós e, de facto, por paradoxal que pareça, mantenho alguma prudência na avaliação da mesma, já que a análise, essa, delego-a em quem sabe.
Entre a tolerância pragmática de José Saramago, para quem era necessário, sobretudo, ter cuidado com as palavras e a mudança de sentido que as desvirtua ou o -legítimo- medo de existir (do Acordo) de que nos falou, com azedume, o outro José, o Gil, inclino-me para o primeiro, sem quaisquer reverências.
Nada de definitivo porém. Vou continuar a escrever como sempre fiz, na expectativa de que um qualquer tropismo me faça romper com o hábito ou , na mais provável das hipóteses, deixar ao tempo o que, no quadro actual de referências, só o tempo pode decidir, tendo plena consciência de que, pelo andamento que estas coisas costumam ter, fica por saber se eu próprio ainda irei a tempo de mudar...