A propósito das declarações do ministro Crato de que vai apagar o fogo, apetece-me recorrer a Sartre para denunciar uma postura que, apesar de reconhecer que cheira a esturro na corte, teima em continuar o papel do pirómano, na política do rato queimado, em que todos lhe sentem o cheiro, mas os interesses instalados não permitem que o corpo do roedor seja removido.
Este governo carrega um rato esturricado na sua pasta, misturado com medidas gravosas e teimosias absurdas. Não obstante, continua a propagar aos sete ventos que a sua política é a correcta. O pior é que o fogo continua (antigamente era a revolução) em combustão lenta e quem vai ficando mergulhado nas cinzas são os súbditos do costume, que nunca mais vêem chegar os bombeiros.