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26/06/14

A multa, seguida de "a última chamada"

Portugal, leia-se os portugueses que pagam impostos, foi condenado pelo Tribunal Europeu a pagar uma multa de três milhões de euros, pela atribuição do serviço universal à PT sem o necessário concurso público.
A propósito de mais esta golpada, fruto das cumplicidades espúrias existentes entre os governos e as empresas, sejam elas públicas ou privadas, ocorre-me publicar de novo um post datado de 2010, que ilustra bem a permissividade selectiva do poder instalado.

 
                     Communication breakdown
                     Foto: Andrew Myers

Naquele dia tinha-me levantado mais cedo do que o normal e, como de costume, fui estendendo o sono até ao duche, só depois é que acordei de vez, já me palpitava um dia com contornos aziagos.
Liguei o rádio e logo escutei a notícia de que a PT antecipava a distribuição de dividendos resultantes dos lucros obscenos, para evitar o pagamento dos impostos. Irritado, engoli o pequeno-almoço e, de pronto, sai para a rua.
No quiosque fronteiro, por cima de um ombro, vi que um tablóide anunciava em grandes parangonas a posição da PT. Um verdadeiro escândalo.
Chegado ao café da esquina, lancei um olhar de soslaio para a pantalha e lá estava a locutora, com ar de boneca insuflável, a debitar a mesma notícia insultuosa. Parecia de propósito, senti-me gozado e percebi de imediato que esta afronta iria ser seguida pelos 'patriotas' dos grupos empresariais do costume.
Bebi a bica de um trago e saí de telemóvel em punho, decidido a dar a mim próprio a última oportunidade.
Liguei para casa. Tocou, tocou, tocou... Ninguém atendeu. Esperei mais uns minutos e insisti. Tornou a tocar e a tocar e a tocar... Nada. Não adiantou. Eu não estava. Nunca estou para atender o telefone fixo.
E disse basta! Nem sequer deixei mensagem, regressei a casa, peguei numa tesoura e cortei o fio do telefone.
Entretanto, já tinha escrevinhado a croniqueta quando tomei conhecimento de que um antigo "Boss" dos patrões, figura lúgubre, de olhar glacial e discurso sinistro, defendia e justificava a adopção daquela posição iníqua.
Era o vale tudo e o despudor em toda a plenitude.


bth: Novembro 2010