31/03/14

Consumismo



Num tempo em que os avanços tecnológicos permitem que a produção seja realizada sem criar novos postos de trabalho, o Neoliberalismo, que ainda não conseguiu inventar o consumo sem os salários -mas continua a tentar- vai alimentando a sua voracidade na venda das ilusões que ele próprio cria e desenvolve.
The Flow Market constitui por um lado uma brincadeira e por outro uma importante reflexão acerca da cultura consumista.
Apresenta-se como um supermercado de venda a retalho, completamente equipado e com filas de prateleiras repletas de várias embalagens de plástico, cujos rótulos prometem dar revitalização, paz, harmonia, etc. Todas elas estão vazias, mas demora algum tempo até que nos apercebamos do facto.
Aliás, muitos dos visitantes têm sido seduzidos pelas propostas, pelo que, junto das "caixas de pagamento" se encontram vários cestos onde ficam depositadas as embalagens, que os "clientes" mais distraídos, deste mercado fictício, retiraram das prateleiras, com o intuito de as adquirir.



Apostila: Por motivos óbvios Portugal está a salvo deste logro...

29/03/14

Sounds of Saturday CCXXI

A mes filles

  
 Charles Aznavour: A ma fille                                     Serge Regianni:  Ma fille

28/03/14

Era (é) uma vez um país?




Fotos: Alfredo Cunha: Portugal anos 70 ,antes de 25de Abril 1974 

Este também era um país que estava muito melhor. O pior é que vieram uns indivíduos que quiseram estragar tudo.
Deve ser por isso que os tipos que nos governam, o querem recuperar.

27/03/14

Dos tataravôs


Numa breve variação sobre Almada Negreiros, bem poderia vir aqui afirmar em pleno acesso de ira mal contida que:  Coelho é o escárnio da consciência! Se o Coelho é português eu quero ser espanhol!
No entanto, comigo não é bem o caso. É evidente que não suporto o Coelho e gosto muito de muitas das gentes da Ibéria imensa do lado de lá da raia: catalães, bascos, galegos etc., mas como se dizia (ou se diz) na Galiza: «Mal que mal nos queda Portugal».
E como no momento actual se colocaria o velho dilema de ter de optar entre a fossa e a lixeira, posso ir à vontade comprar caramelos a Badajoz, sem me deixar tentar por esta ideia luminosa que as autoridades daqui do lado tiveram.
E digo isto, não obstante ser certo que, para não fugir ao quadro genealógico da maioria, devo ter tido um qualquer tataravô marrano ou mesmo sefardita..

Introdução a pedido

                        canal #moritz@ttnet

O quê?!...
Ah! O cartão.
Safa! Até me assustei...

26/03/14

Amigo Poeta

Para ti Torquato, aí em Alcantarilha, nesse lugar onde, faz hoje um ano, descansas em paz, aqui deixo o teu último poema que publicaste no Ofício Diário. 
Um abraço, Amigo Poeta

25/03/14

Arraial! Arraial!

Diz um arauto, consultor de comunicação (?), que S.A.R. Real, o Príncipe da Beira -qual delas?- atingiu a maioridade e, digo eu, já agora, se o deixassem, poderia até suceder a D. Cavaco, Príncipe de Boliqueime. 
Como o tempo passa, se bem me contaram, ainda outro dia, em 1910, estava o Reino de pantanas, mesmo à beira da Rotunda.


O meu júbilo é tanto, tanto, que me lembrei logo de SAR, o pai Pio, aquela personagem digna de uma estampa de barbearia de bairro, o senhor D. Duarte: Uma figurinha com dois olhos, um bigode e um sorriso alvar que é, também, uma espécie autofágica com problemas de fermento indigesto, porque se alimenta da sua própria idiotia, daí que, de vez em quando, sinta necessidade de bolçar as baboseiras que vai engolindo.
Um sujeito que mede o tempo quando olha para baixo, para os pés que lhe servem de ponteiros e está sempre nas dez para as duas, pelo que passa a vida a dar corda ao par de botas onde vê a felicidade, para acompanhar a rapidez vertiginosa com que debita asneirolas.
Se o jovem ex-efebo sair ao progenitor o reino está salvo. Arraial! Arraial!

Rememberings II

                               Max Ernst: Sculpture -  Louisiana Modern Art Museum., 
                               Foto.: Hapsical

Wait until yesterday's here

24/03/14

A última pedalada

                              Foto: Thomas Rousing

Basta um simples olhar e eis a "imagem" imaginada dela, num lugar onde só eu sei, a velha bicicleta que me fez ser personagem de O'Neill: O homem que pedala que ped'alma/com o passado a tiracolo/ao ar vivaz abre as narinas: tem o porvir na pedaleira.
"The beauty of a shadow" daquela que testemunhou e sentiu a última pedalada e a última queda.
Inocente(s): Quem poderia prever que um cabo do travão se envolvia de repente com um raio da roda da frente.
Ficámos ambos muito machucados, mas não guardamos ressentimentos mútuos e trocamos olhares de cumplicidade assumida, sempre que "aqui" venho, porque ela sabe bem que eu nunca mais pedalei...

22/03/14

Sounds of Saturday CCXX


Agnes Obel. The Curse (Denmark)

21/03/14

Equinócio

                              Edvard Munch: Primavera (1889)

 Um dia e uma noite iguais "para todos"?...


Ouve, primavera: não te atrevas
a sair das rosas para o mundo.

Não venhas arrepender a beleza fácil
este meu instinto
-tão contra mim-
de morrer nas barricadas dos outros
pela beleza impossível do futuro.


José Gomes Ferreira
In: Poesia I

19/03/14

O que farei eu aqui, logo a seguir a tanta gente boa?

Na pátria lugar de exílio, há um tempo em que a gente às vezes canta para sentir-se existente mas, como as coisas visíveis podem sempre esconder outras coisas visíveis, fiquem bem. Boa noite. Eu vou com as aves.
– O horizonte está onde estão os nossos olhos, o pensamento cada vez mais próximo.

Postemas LII

Mar-Mulher, próxima e disponível, tão próxima que, na maré-cheia, a lâmina suave das ondas, como que lhe vem acariciar o corpo para, após um vai e vem de sedução e encantamento, se retirar de mansinho, deixando na fímbria da areia o espaço e o sal das palavras.

No pestanejar de uma vírgula

Olho-te como se fosse a primeira vez 

na verdade a água
corpo líquido de mulher
tem segredos escondidos no fundo das pedras
alimentos de fogo
talvez uma praia onde se fundem
areias e lábios
um piano de luzes 
que determina o tempo das estações

ainda bem que tens ilhas selvagens
sinais apócrifos que se desnudam
em gestos simples
no pestanejar de uma vírgula

na verdade a água sabe rir e chorar
no espelho das próprias lágrimas
no rumor das maresias
e eu descobri uma vez mais
que tens poros por onde respiras
silêncios escarpas por onde escorrem salivas
que te ergues e desmoronas
abrigo e mensageira
te desprendes do chão
ou hibernas nos corais

Que bom ainda hoje
partilhar contigo este despertar
aprender vida fora a descobrir-te
como se fosse a primeira vez
deixar por um instante
a outra água
para os peixes se moverem

Eufrázio Felipe

17/03/14

Exageros...

Só faltou dizerem que ela abandonou o strich  de Berlim e mudou de cidade por causa da clientela. 

Das prescrições e dos sentidos


Sabe-se que a falta de um sentido torna os outros mais apurados. Deve ser por isso que a Justiça, sendo "cega", consegue "cheirar" o dinheiro à distância, "ouve" os ricos com muita atenção e depois trata-os com um "tacto" muito especial. Por fim, dá uso ao seu "sexto sentido" e manda-os em paz... 

Apostila: Se "saboreia" ou não... é coisa que está em segredo de justiça...

15/03/14

Sounds of Saturday CCXIX


Jacques Brel-: Voir un ami pleurer

A data de (dos) Jornais

Por norma não leio jornais impressos, há muito que deixei de confundir informação com aquilo que neles se publica e cheguei à conclusão óbvia de que a única coisa que podemos, sem receio, tomar como verdadeira é a "data".
A imprensa que temos, escreve para vender -vendo bem...-, não para informar e muito menos para formar. A quase totalidade dos jornais não vende mas "vende-se", é  mercenária, demagógica, manipuladora e 'manhosa'.
Não admira portanto que uma parte significativa do público leitor, intoxicado pelo cardápio que lhe sugerem todas as manhãs, mantenha nivelado por baixo o seu gosto e o seu grau de exigência.
Mas mais grave do que esta deplorável realidade, que ameaça tornar-se crónica por falta de alternativa, é a tragédia que resulta de milhares de árvores serem sacrificadas, impiedosamente, para alimentar o cidadão com o pão da mentira.


14/03/14

Contestação

Nem valia a pena o FMI estar a perder tempo com este aviso. Os serviços de informação e o M.A.I. já sabiam.

Lá não é como cá.



                               Politiken. dk - Foto: Finn Frandsen


De acordo com uma pesquisa da World Values Survey, envolvendo aproximadamente 350 mil pessoas em cerca de 100 países e territórios, a Dinamarca foi considerada o país mais feliz do mundo. Já o disse aqui e repito. 
A circunstância de, faz precisamente cinco anos, o Parlamento Dinamarquês ter aprovado uma lei que permite aos casais homossexuais, direitos absolutamente iguais para a adopção de crianças, é causa e efeito dessa realidade, não aconteceu por acaso.
A Dinamarca é assim; um país solidário e acolhedor, uma porta permanentemente aberta para o mundo e os Danes são um povo livre, tolerante e descomplexado.

12/03/14

Das exonerações ou Belém não paga a traidores.

A partir de agora, com ou sem assinaturas em manifestos, vai ser sempre a aviar: Cavaco começou a exonerar pessoal.
O único que está a salvo é o chefe da casa civil, o Nunes Liberato,  porque é necessário para o presidente apoiar o cotovelo -na nuca- quando fica cansado de estar de pé....

A música é outra.


O meu Psi também tem um divã com leitor de CD's incorporado. A música começa assim que me deito e dura até ao momento de passar o cheque da consulta.

Reposição


Crimeia, disse ela!..

11/03/14

Calma...

                                 El placer de la Lectura

Pode não parecer mas é um livro aberto. A ausência de letras não é importante para quem imaginou tratar-se de outra coisa.

10/03/14

Uma verdadeira mina

Ontem à noite, Marcelo R. Sousa disse  com ar melífluo que, apesar de ter dado um pontapé num repórter, Zeca Mendonça é um coração de ouro.
Que maravilha! Já tínhamos "botas de ouro" e "bolas de ouro", chegou agora a vez de um coração. Não pode haver dúvidas que na arte do chuto, somos uma verdadeira mina...

Se calhar...

O Público, cuja isenção mais parece um produto, fora do prazo de validade, à venda numa loja do grande merceeiro, diz que na Coreia do Norte há um único candidato designado pelo partido único para cada uma das 687 circunscrições. Os eleitores só têm que escolher entre o “sim” e o “não” nos boletins de voto.
Já é vontade de dizer mal daquela monarquia excêntrica. Se calhar queriam que eles também pudessem escolher "talvez"...

09/03/14

Do Milhazes e da guerra dos botões

O Barbas de milho, perdão, do Milhazes, que é uma espécie de Nuno Rogeiro dos pobres, em formato arredondado -não tem ponta por onde se lhe pegue-  e sem restaurador "olex" a pintar-lhe as cãs que lhe enformam a parte de cima da moldura, defendeu na Sic "três posições três", sobre a crise da Ucrânia, no curto espaço de uma hora: Na primeira disse que podíamos estar perante uma verdadeira ameaça da terceira guerra mundial, na segunda, já não havia ameaça e na terceira, podia haver ou não. 
Perante tanta objectividade, vou já pôr as minhas barbas de molho e aviso que para a terceira guerra, não contem comigo, nada percebo de electrónica e no que respeita a botões só sei abotoar e desabotoar, carregar népia. 
Mas quando vier a quarta, estarei na primeira linha e já tenho duas arcas cheias de pedras, uma fisga, o arco e as as flechas que guardo desde criança e, claro, uma caixa de lata para recolher -agora sem dúvidas- "les boutons de l'ennemi", porque o quero ver com as calças na mão...

08/03/14

Mulher hoje e sempre!



                     
                           Jean Ferrat: La femme est l' avenir de l´homme

La femme est l'avenir de l'homme 

Le poète a toujours raison
Qui voit plus haut que l'horizon
Et le futur est son royaume
Face à notre génération
Je déclare avec Aragon
La femme est l'avenir de l'homme

Entre l'ancien et le nouveau
Votre lutte à tous les niveaux
De la nôtre est indivisible
Dans les hommes qui font les lois
Si les uns chantent par ma voix
D'autres décrètent par la bible

Le poète a toujours raison
Qui détruit l'ancienne oraison
L'image d'Eve et de la pomme
Face aux vieilles malédictions
Je déclare avec Aragon
La femme est l'avenir de l'homme

Pour accoucher sans la souffrance
Pour le contrôle des naissances
Il a fallu des millénaires
Si nous sortons du moyen âge
Vos siècles d'infini servage
Pèsent encor lourd sur la terre

Le poète a toujours raison
Qui annonce la floraison 
D'autres amours en son royaume 
Remet à l'endroit la chanson 
Et déclare avec Aragon 
La femme est l'avenir de l'homme

Il faudra réapprendre à vivre 
Ensemble écrire un nouveau livre
Redécouvrir tous les possibles 
Chaque chose enfin partagée 
Tout dans le couple va changer 
D'une manière irréversible

Le poète a toujours raison
Qui voit plus haut que l'horizon
Et le futur est son royaume
Face aux autres générations 
Je déclare avec Aragon 
La femme est l'avenir de l'homme
Louis Aragon

07/03/14

Twiter




Reconheço as minhas limitações, sou quase um inepto na utilização de algumas das novas tecnologias. Consigo manter o "bons tempos hein?!" sem grandes percalços, mas quando se trata do "facebook" troco imediatamente as mãos. 
Mesmo assim, dou-me por satisfeito, porque me "comovo por tudo e por nada" e como "não é possível derramar uma lágrima sobre um disco rígido de um computador", não dispenso os livros, 
Sei também da existência de uma rede social muito frequentada, denominada twiter, apesar de suspeitar que nos pode conduzir em breve ao uso experimental, primeiro da onomatopeia e depois do grunhido, vertidos para a escrita por milagre da Net, como formas exclusivas de diálogo
Os tweets não me seduzem, podem chamar-me medievo ou até pré-roda, mas se até aqui resisti, não é agora que vou aderir, até porque, ao que julgo saber, vai ser o método propagandistico de que a direita se vai servir para levar os eleitores ao engano crónico. Como se isso fosse necessário... 
Além do mais, já todos perceberam que eu prezo muito a sanidade intelectual.




06/03/14

O Dinossauro português

Parece que este era Carnívoro!... Não me digam que o Dinossauro Excelentíssimo, o manholas, era vega...


Da misoginia

Já conhecíamos os antropomórficos, como o “Bugs Bunny” ou o “Bing Bing Bing! Coelho Ricochete” e também os biófobos, como os "Bunny suicides".
Agora surgiu o misógino, o Passos Coelho, que no decorrer de um debate na AR teve a desvergonha de se recusar a responder a uma Mulher, presidente de um partido e deputada parlamentar.

modificado

A factura

Ao que isto chegou, já viram que nem a possibilidade de ganhar um topo de gama tranquiliza a Europa.?!

05/03/14

Po(st)emas LI

Bibliofilia

O livro velho, tantas vezes lido!
Com furos e fissuras ficou feio
Por uso, mas de súbito está cheio
De vida, ao tato e à vista oferecido.

O livro, que até pouco era defunto,
Ressurge "sem surpresa para o sábio"
Que sabe, ó Transformista de alfarrábio,
O quanto de arte pões no teu assunto.

Jovem de novo, afoito para o afã:
O livro – feito antiga cortesã
Que alguma fada-mãe deixasse virgem;

E, como se escutássemos a voz
Dourada de uma excelsa musa, nós
Relemos, entretidos na vertigem.


Bibliophilie 

Le vieux livre qu’on a lu, relu tant de fois ! 
Brisé, navré, navrant, fait hideux par l'usage,
Soudain le voici frais, pimpant, jeune visage
Et fin toucher, délice et des yeux et des 
                                        doigts. 

Ce livre cru bien mort, chose d'ombre et 
                                        d'effrois, 
Sa résurrection « ne surprend pas le sage ». 
Qui sait, ô Relieur, artiste ensemble et mage, 
Combien tu fais encore mieux que tu ne dois. 

On le reprend, ce livre en sa toute jeunesse, 
Comme l’on reprendrait une ancienne 
                                        maîtresse 
Que quelque fée aurait revirginée au point;

On le relit comme on écouterait la Muse
D'antan, voix d'or qu'éraillait l'âge qui 
                                        nous point : 
Claire à nouveau, la revoici qui nous amuse.

Paul Verlaine: Biblio-Sonetos.
Tradução de André Vallias

04/03/14

Diz-me o que calças...

Só quem não conhecer o tartufo, se pode admirar com o paradoxo. Isto é homem de muito alimento, mesmo quando estava na Unicer não acredito que trocasse uma "Fuller’s London Pride" por uma simples super bock...

Reconheço...















Reconheço que tenho sido injusto quando classifico de medíocres os vários telejornais nocturnos das televisões. É que, imaginem só, nos últimos dias, tenho espreitado alguns dos noticiários diurnos.

02/03/14

Alain Resnais

Numa altura em que sombras negras ameaçam pairar de novo sobre a Europa, acaba de desaparecer uma das maiores figuras do cinema europeu, Alain Resnais (03/06/1922 - 02/03/2014), autor, entre muitos outros, de filmes como : Hiroshima mon amour, O último ano em Marienbad, Providence, Smoking/No Smoking, etc.


                                         Alain Resnais: Nuit et Brouillard (Cinemateca 06/03/2008)

Auschwitz ou a repetição da pergunta «Quem é responsável?"
O sublime: a sua máxima expressão na passagem do verde para o cinzento. Um recuo temporal que nos coloca entre o entendimento e a razão.
A câmara que se move coleante e lenta, sem nunca se fixar, obsessiva, em longos travellings e demoradas panorâmicas, que ora penetram ora cercam as imagens, que (nos) constroem a memoria do terror. A sublimação do sublime.
Para que nunca mais!...

(Poste publicado em 07/03/2008 sobe a média metragem Nuit et Brouillard)

01/03/14

No entrudo não há crise?

No que me diz respeito, o entrudo –prefiro chamar-lhe assim, em vez de carnaval, porque carne levare ou seja, afastar a carne, é coisa que não compreendo e muito menos partilho– acaba ainda antes de ter início, melhor dizendo, passa-me completamente a latere. Foi sempre assim.
Sei que há quem defenda que se trata da última manifestação profana, que antecede o período da Quaresma, o que pode muito bem significar que, vá de cometer toda a sorte de dislates durante esse período já que depois lá vem a velha receita de moral duvidosa e entra-se em estado de contrição, a fim de preparar a consciência para a Páscoa.
Participar ou não do entrudo é muito mais do que uma questão de gosto – ou de mau gosto, depende dos eventuais foliões. Cá por mim, repito, não dou para essa quermesse.
No entanto, recorrendo a Saramago, "aprendi a não convencer ninguém" e tanto se me dá que haja quem festeje o carnaval, como bem entende, em cima ou à frente dos carros alegóricos, onde "há sempre um zarolho ou um esperto".
O que me azucrina, neste tempo de crise que já atravessou vários entrudos, é saber que há quem passe a vida a vociferar contra ela e depois, quando chega a quadra, não hesite em divertir-se (?), dando largas a risos e humores de conjuntura.
Durante a férie dos estalinhos, só mesmo uma estalada.

Imagem: Web

Sounds of Saturday CCXVIII


Imanol: Nire euskaltasuna (Pais Basco)

O regresso dos três "F"

Os presidentes do futebol vão reunir-se em Fátima. Só falta convidar a Kátia do Cavaco para cantar uns fadunchos e temos a trilogia completa.