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11/12/13

A extensão do cumprimento


O aperto de mão entre Barak Obama e Raul de Castro, parece constituir um indício seguro da continuação da política de pequenos passos, com vista ao fim de um bloqueio absurdo que tem marcado a História contemporânea.
Não obstante reconhecer que a política externa do presidente americano ficou aquém das minhas expectativas, reitero de forma pragmática que nunca imaginei que Obama pudesse "declarar guerra aos Estados Unidos"...
Por outro lado, mantenho a esperança de que Castro sabe perfeitamente como conduzir as inevitáveis correcções, com vista à desejada abertura no sistema politico de Cuba, mantendo a fidelidade aos princípios que enformaram a revolução.

22/03/10

A reforma de saúde de Obama II

A aprovação da legislação de saúde pela Câmara de Representantes assegura que, qualquer que seja o custo final, o presidente Obama vai ficar na história como um dos poucos líderes capaz de reformular o aberrante e impiedoso sistema de assistência social dos Estados Unidos.
Depois de travar debates duríssimos, com a oposição republicana e dentro do seu próprio partido, Obama mostrou que estava disposto a lutar até ao fim por aquilo que já movia o seu íntimo, mesmo antes de se candidatar, sabendo que podia comprometer todo o seu capital politico a nível interno.
É exclusivamente desse aspecto e não de política externa, da qual sou crítico, que, agora e aqui, pretendo debruçar-me.
Não terá sido a reforma completa, já que houve necessidade de abdicar da Public Option, para ganhar a votação, ainda que por uma margem mínima.
Se se trata de uma conquista memorável ou um suicídio político para ele e o seu partido, só o tempo o dirá.
Entretanto, os até agora rejeitados, mais de trinta milhões de cidadãos, vão finalmente poder aspirar à dignidade de terem acesso a um sistema de saúde, realidade essa que não pode passar a latere dos 'analistas' de bom senso...

Pode também ter interesse em:

A reforma de... ............. Do possível... ......... O primeiro...

27/12/09

A reforma de saúde de Obama



Reconheço, desapontado, que o consulado de Obama tem ficado muito aquém das minhas expectativas iniciais.
Refiro-me como é evidente à sua intervenção no âmbito da politica externa, bem como à posição adoptada na COP15.
Importa todavia sublinhar com agrado que, no que concerne à política doméstica, Obama poderá estar à beira de conseguir, ainda que de forma mitigada -sem a chamada Opção Pública*, concretizar o principal objectivo de que fez bandeira no decorrer da campanha eleitoral, a reforma do sistema de saúde, abrindo as portas à possibilidade de permitir o acesso ao mesmo, a mais de trinta milhões de americanos, até agora sem direito a assistência, e impedindo as Seguradoras de poderem recusar fazer contratos com cidadãos que apresentem problemas de saúde ou de procederem à sua rescisão unilateral.
Resta ainda aguardar pelas negociações a decorrer entre as duas Câmaras do Congresso, para podermos avaliar se esta transformação histórica porá definitivamente termo à situação iníqua, simbolizada pela figura acima.

* O papel dos dog democrats foi condicionador.

Apostila: Eu, que tenho este jeito incorrigivel de pensar pela minha cabeça, daí a 'cabeçada' que referi no início, estou confortável nestas despretensiosas considerações, porque, não sendo adepto do quanto pior melhor, coloquei a fasquia a um nível modesto, aquando das eleições.

09/10/09

Não era pressa...

Hein?! Também digo eu que, não obstante ser -ainda- um Obamista qb, não entendo a pressa.
Diria mesmo a propósito, que bem podiam "aguentar os cavalos que os Índios ainda não vão atacar".
Mais uma vez a atribuição do prémio Nobel da Paz deixa um certo cheiro explosivo (só podia) no ar, apesar de também me cheirar que a intenção é mais para afugentar os falcões.
Apostila: O meu esgar de desprezo pelas felicitações (ainda que institucionais) e pelo sorriso alvar e hipócrita do porteiro das Lajes, o Barroso.

21/01/09

Chegou o tempo


O presidente eleito dos Estados Unidos, Barak Obama, prometeu a retirada das tropas do Iraque, o fim da Al-Qaida no Afganistão e o encerramento do campo de concentração de Guantanamo, entrando em total ruptura com a politica externa do seu antecessor.
Mais recentemente Obama reeiterou que vai cumprir as promessas que fez na campanha, as quais foram recebidas com júbilo, dentro e fora dos Estados Unidos.
Hoje mesmo, o novo presidente pediu a suspensão por 120 dias dos julgamentos na prisão de Guantanamo.
Chegou o tempo de começar(-mos) a cobrar das promessas.

Imagem: Web

03/12/08

Do possível


Não acredito que ainda não tenham percebido que nós* suspeitamos -sempre suspeitámos- que desejam -sempre desejaram- que Obama falhe.
Umas vezes dissimulam, outras nem por isso, recorrendo aos mais variados pretextos para imaginar hipóteses que, alguns, lá no fundo, bem no fundo, até nem gostariam de ver concretizadas. Mas, que fazer, se têm (esta) eterna dúvida nos genes e não adianta argumentar.
No entanto e porque, nos mais dos casos, se trata de gente boa, que respeito muito, acredito que se sentem desconfortáveis. Eu não, mesmo sabendo que a minha opinião nem é importante, continuo a esperar para ver e a dar o benefício da dúvida, porque coloquei a fasquia nos limites do possível e nunca imaginei que Obama fosse "invadir" a América...
Já agora apetece-me repetir que da falta de embustes não me queixo, e se, eventualmente, se tratar de mais um, virei aqui reconhecê-lo sem tergiversações ou golpes de rins.
* Plural majestático
Imagem: Web

16/11/08

Não há hóstias para ninguém ou a crise já chegou ao ázimo.


A América, profunda ou não, cada vez se afunda mais no pântano da intolerância.
Nem a crise a faz hesitar e, se a moda pega from coast to coast, o resultado vai ser certamente o encerramento seguido das fábricas de pão de ázimo por falta de consumidores.
Imagem: Web

14/11/08

Retirada estratégica?


Passaram relativamente despercebidas, as referências do velho comandante Fidel ao candidato Obama.
As eminências pardas da análise política cá do burgo, preferiram não reagir e até nas áreas onde seria expectável que surgissem comentários favoráveis a propósito, o silêncio foi, tanto quanto julgo saber, a única resposta.
Independentemente de se ficar, ou não, agradado com a situação, tudo indica que o velho comandante, cuja figura lendária de líder irá “pairar no ar” no mínimo por mais uma ou duas gerações, decide, ele próprio, marcar o ritmo da vida politica em Cuba, dirigindo à distância, mas sempre de cima para baixo, a lenta, desejada e necessária transição, que até já terá passado por uma saída calculada, da qual um dos grandes beneficiários pode vir a ser o presidente eleito dos Estados Unidos,
Atrevo-me mesmo a pensar se Fidel, depois de ter sobrevivido às inúmeras notícias que o davam como moribundo, originadas em terras do tio Sam, não se retirou estrategicamente no sentido de facilitar futuras negociações, que visem o fim do bloqueio económico, sem quebrar os princípios do histórico processo revolucionário que, num novo quadro de referências, deverá sofrer, então sim, alterações qualitativas de rota, além da admissão de novos interlocutores externos e, sobretudo, internos.
Ocorreu-me fazer agora estas simples considerações, não obstante pensar que os especialistas entendidos na poda, ainda não se terão debruçado sobre a matéria porque aguardam novos desenvolvimentos, para palpitarem em conformidade.

Imagem: Web

06/11/08

O primeiro não Wasp II

Onde já se viu, um mulato keniano de primeira geração, conseguir romper a lógica da pureza racial dos habituais inquilinos da Casa Branca?
Convém pois, não embandeirar em arco, sabendo como se sabe que, por muito menos, dois irmãos de uma família -quase wasp -, um presidente e um senador, procurador da república, de origem irlandesa e tradição católica, pagaram com a vida, por não se enquadrarem adequadamente nos parâmetros tradicionais da governação.
Num país que foi capaz de eleger um individuo como W., para dirigir os seus destinos durante dois mandatos, tudo é possível.
Por outro lado e no que se refere às reacções dos nossos políticos e analistas -passando ao lado dos oportunistas do costume-, se a prudência manda não sobrestimar o fenómeno Barak Obama, a honestidade intelectual impõe que se lhe conceda o benefício da dúvida, principalmente, porque, pela primeira vez, existem pressupostos inéditos, na envolvente da eleição, que não podem ser escamoteados.
No que concerne à política externa, o futuro presidente dos Estados Unidos transporta com ele um capital político muito significativo, resultante das posições que tomou num passado recente, quando se mostrou favorável ao ponto de vista dominante no resto do planeta, relativamente ao protocolo de Quioto e à Guerra do Iraque, que considerou imoral e injusta, isto, numa altura em que 70% dos americanos a apoiava, bem como ao fim da ignomínia de Guantanamo.
Em relação à política interna, a sua intervenção enquanto senador é notável e indiciadora de que a prometida mudança pode vir a ter lugar:
É da sua autoria legislação, tão importante como, entre outras, as leis que regulamentam e estabelecem: O financiamento e os procedimentos para a eliminação de armas nucleares e convencionais; as punições para fraudes eleitorais e intimidação de eleitores, problema crônico nos EUA, especialmente nas regiões pobres e negras; os planos de saúde para veteranos de guerra, incluído o tratamento dos distúrbios pós-traumáticos; os novos padrões para a economia de combustível; a actividade dos lobbys no Congresso, como a que cria uma comissão para fiscalizar a ética, com amplos atributos para investigar e punir subornos ou actividades ilegais dos mesmos; a que regulamenta e melhora as condições para testes genéticos -muito elogiada por especialistas-; a que cria um banco de dados público, na internet, com os gastos do governo federal; a que aumenta a segurança das indústrias químicas.
E ainda, uma adenda intitulada Iraq War De-Escalation Act, que reduz o número de tropas e estabelece prazos para a saída dos americanos do Iraque.

Eis aqui uma pequena parte do currículo do Senador, cuja política, externa e interna, “ninguém, por cá, parecia conhecer”, mas que para mim foi decisiva para tomar posição frontal e inequívoca antes das eleições e é, para já, suficiente para me sentir confortável com este resultado e acreditar que algo de substancial poderá vir a acontecer, se o Congresso, totalmente na mão do partido democrata, não vier a colocar obstáculos, o que obviamente não é linear.
Digo eu, que até sou, por natureza, céptico.

05/11/08

O primeiro* não Wasp**



Barack Obama é negro, progressista, culto e erudito, tem nome islamita; representa tudo o que a América sempre rechaçou e aparenta aceitar agora.
Ele é o grito do negro escorraçado e das minorias perseguidas, o protagonista que nasceu com a integração racial e a liberdade sexual; é, também, a razão e a inteligência, a juventude e a esperança, o direito à contra-cultura.
Será um presidente que, se não defraudar a esperança, pode vir a representar a maior viragem da História do seu País, enfrentando sem tibiezas todo um mundo de preconceito, violência, estupidez e pulsão de morte.
*John Kennedy era quase Wasp
** White Anglo-Saxon Protestant

Imagem: NYT

04/11/08

Aujourd'hui


Déjà vu........................................Jamais vu

Imagens: Web

27/10/08

A torcer

Os Estados Unidos constituem -ainda- o único império contemporâneo, portanto, o mais influente, o maior consumidor e manipulador e o mais devastador e poluidor do mundo.
O país hegemónico no qual, a lógica da guerra de destruição e reconstrução, é o que move a economia, quando conduzida pelo partido republicano e pelo Complexo Industrial Militar. São também, a "América" profunda, racista e ignorante, que até já foi dividida pela escravatura e na qual a Ku Klux Klan permanece como uma "importante" organização, com cada vez mais neonazis e neofascistas e onde as minorias continuam a ser segregadas.
Simultaneamente, continuam a ser o grande "Eldorado" em que, não obstante, existem cada vez maiores franjas de pobreza, postergadas pelo chamado american way of life.
Com este quadro de referências, não será fácil, para um afro descendente, vir a tornar-se o próximo “imperador”, sobretudo, porque, ao que tudo indica, pretende estabelecer uma estratégia de ruptura com o que o precede.
Haverá pois muitas razões, sobejamente conhecidas e melhor tratadas noutras páginas da blogsfera, para apostar no candidato democrata, apesar de nada nos garantir que será uma aposta bem sucedida e não passaremos, num mandato de Obama, por algumas das decepções vividas nos anos 90 com Clinton.
Não se trata, nem de longe, de uma candidatura genuinamente de esquerda, é apenas por ela apoiada, mas os sinais encorajadores vêm do deslocamento que impõe ao debate político e só um cínico se recusaria a ver que há sinais inspiradores de mudança no horizonte.
Daí que eu, caucasiano, de esquerda, não engajado, esteja a torcer por Obama, porque ele é transcendente à questão do preconceito e afirma pretender desmontar a retórica do medo e porque alimento a esperança que possa vir a ser a imagem de um povo capaz de se reciclar, para que, por sua vez, o mundo o possa fazer.
Se me enganar não será a primeira vez e também não será a última. Da falta de embustes não me queixo…

24/10/08

The Black Powel

“um líder bem-sucedido, um presidente excepcional”. “Acho que (Obama) é uma figura transformadora. Ele representa uma nova geração que chega ao cenário mundial, ao cenário dos EUA, e por esta razão votarei no senador Barack Obama” Collin Powell.

Não deixa de ser curioso que o herói da primeira guerra do golfo e ex-secretário de estado de W., venha agora, numa atitude que configura uma tentativa serôdia de se "auto-branquear" à custa de outro negro, manifestar o seu apoio ao candidato democrata, compensando com essa posição a postura insólita dessa espécie de Dog democrat, o senador Joe Liberman, ex-candidato à vice-presidencia ao lado de John Kerry, que ainda antes das primárias já se tinha passado para o lado dos Neocons.
Se o primeiro quer limpar o passado o segundo está a sujar o presente.

Imagem. imagevision

10/10/08

Obama e as minorias


É certo que durante a administração Clinton, se verificaram evidentes progressos sociais, mais concretamente na área da criação de empregos.
Todavia e embora a devastação resultante do consulado Bushiano, tenha provocado no exterior a ilusão de que a dita administração foi um paraíso do ponto de vista da politica interna, a verdade é que os dois mandatos Bill Clinton foram marcados por uma série de traições a negros, sindicalistas, feministas, gays/lésbicas e ambientalistas, parceiros fracos, sem opções à esquerda, que foram sendo preteridos para que o Partido Democrata pudesse ocupar o centro do espectro político –onde é que eu já vi disto- sem questionar o movimento da sociedade rumo à direita.
O mérito pessoal de Barack Obama até agora, foi ter conseguido demonstrar a falácia desta situação e aproveitar a herança que recebeu da da grande mobilização de base que alavancou a pré-candidatura de Howard Dean em 2004, a qual deu origem a uma rede de activistas de base, organizados via internet e dispostos a influir nos rumos do partido.
Desta vez a esquerda americana está aí e tem, como nunca, um papel determinante nesta eleição e, no caso de vitória, não deixará de reclamar do seu candidato uma postura ética e socialmente diferente.
Veremos se conseguirá, para que a desilusão das minorias não venha a repetir-se.

Imagem: Web

08/10/08

Do debate


Na sequência do debate desta madrugada, podemos concluir que tanto os analistas como as sondagens apontam para a vitória de Obama.
Se não se tratar, mais uma vez, do habitual Wishful thinking manifestado nestas ocasiões, talvez possamos ter esperança de que os americanos preferem mesmo um negro que lhes prometa um futuro claro, a um branco que lhes traga um futuro escuro.

Imagem: Estadão

28/09/08

Descubra as diferenças

Descubra as diferenças. Se acertar habilita-se a uma tradução autografada pelo neocon Vasco G. Moura, do famoso ensaio " The amazing virtue of death penalty ".
Imagem: Web

13/08/08

A máquina



O Linguista e filósofo Noam Chomsky, figura marcante da sociedade norte-americana, conhecido pelas suas posições politicas de esquerda, acabou de afirmar que o partido republicano tem uma vertente realmente fascista e conta com uma formidável máquina de difamação e vilipêndio, que ainda não foi posta em marcha contra Obama, mas que, sem dúvida, vai atacar no momento certo.
A propósito desta afirmação, será bom recordar que, durante a campanha eleitoral de 2004, a máquina difamatória e mistificadora republicana destruiu a imagem de John Kerry e conseguiu transformar o candidato George W. Bush, o qual, ao contrário daquele, teve a ajuda do pai para se livrar da guerra do Vietname, num autêntico patriota americano, contribuindo de maneira decisiva para a sua eleição.
Esta situação pode repetir-se agora em relação a McCain, que já começou a ser apontado como um grande especialista em segurança, dado que foi piloto de guerra, apesar de nada saber de temas militares. Sabe, quanto muito, como bombardear as pessoas de uma altura de dez mil metros, mas isso não faz dele um perito.
Aquele argumento e a exploração exaustiva e desonesta do facto de Obama ser um candidato não branco, podem fazer inclinar, perigosamente, para a direita, um eleitorado que, em boa verdade, pouco deve à inteligência e à lucidez.
Aliás e tendo em consideração que o racismo está arraigado de uma forma muito profunda nos EUA e as sondagens revelam que uma alta percentagem de democratas afirma não tencionar dar o voto a um candidato negro, ao mesmo tempo que os hispânicos e outros imigrantes temem que Obama ganhe, não é linear que o candidato democrata possa gozar despreocupadamente as férias paradisíacas no Hawai, até porque as eleições primárias não reflectem necessariamente o voto popular e, além disso, no dia das eleições somente 50% do eleitorado é que vota.

Imagem: Web

28/07/08

Espero bem...


Diz-nos a História dos USA que o coice dos burros tem sido, demasiadas vezes, mais devastador do que a trombada dos elefantes. É na verdade uma evidência incontornável.
No entanto prefiro, neste momento, não alinhar com os comentários, mais ou menos, pirrónicos e alarmistas, nem com outros de exaltação excessiva que, de súbito, começaram a projectar-se por aí.
Ingenuidade minha ou boa-fé (salvo seja) mantenho que, agora que the long nightmare of Nixonism-Reaganism-Bushism* parece estar a chegar ao fim de uma vez por todas, o que importa, à metade do povo americano que participa nas eleições, é escolher e, já agora, espero bem que Obama não seja um sonho só para entreter

* Democraticunderground.com

08/06/08

Expectativas


Foto: Um negro usando um bebebouro para "gente de cor" em Oklahoma City, Oklahoma, em 1939.


Cerca de 50 anos depois do Tribunal Supremo dos Estados Unidos ter tomado a decisão de acabar oficialmente com a segregação racial no país, o Partido Democrata está prestes a fazer História ao escolher o primeiro negro para concorrer à Casa Branca.
Tal escolha, coroa a extraordinária campanha de um político, que era praticamente um desconhecido do grande público há pouco mais de um ano, na qual usou a internet, uma grande capacidade de organização e uma retórica brilhante que remete para os oradores do movimento negro pelos direitos civis, para gerar uma onda de entusiasmo que o levou à vitória sobre a franca favorita, a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton que, juntamente com o marido, o ex-presidente Bill Clinton, controlavam a maior parte da máquina partidária antes de serem derrotados por este senador em primeiro mandato.
Não obstante o racismo e da discriminação persistirem nos Estados Unidos, Obama foi capaz de construir uma frente que juntou o entusiasmo dos jovens e garantiu apoios junto dos democratas mais favorecidos e educados, que se deixaram seduzir pelo slogan do Yes We Can, pelas promessas de pôr fim à guerra do Iraque e de acabar com a prisão de Guantanamo, para além de promover uma reforma completa da política doméstica e externa dos Estados Unidos, depois de dois mandatos desastrosos de George W. Bush.
Mas a escolha do Partido Democrata é tanto mais extraordinária quanto, há apenas cinco décadas, nalgumas regiões dos Estados Unidos - especialmente no Sul - a segregação entre brancos e negros era a política oficial. Só em 1954, na famosa acção Brown vs. Board of Education, o Tribunal Supremo do país eliminou oficialmente a segregação nas escolas.
Acresce que a designação de Obama acontece dois séculos depois da proibição do comércio de escravos nos Estados Unidos.
Acima de tudo, Barack Obama representa a possível mudança de geração no comando do país e, por arrastamento, do mundo. O senador, se for eleito, assumirá a presidência com apenas 47 anos. Pode parecer incrível, mas todos os norte- americanos com menos de 19 anos de idade só conhecem a Casa Branca ocupada por um Clinton ou um Bush, o que, convenhamos, é demasiado redutor.
Não experimento euforias desmesuradas, nem coloco a fasquia demasiado alta, mas admito que mantenho expectativas qb na sua eleição e apenas desejo que as mesmas não saiam defraudadas, já que não se me afigura haver muito mais tempo para novas experiências .

22/05/08

One Man

>

Jason Joseph: One Man

...It's also about what you can do to change it. That's what this election is all about! Barack Obama

Let's hope, now and later.