29/06/08

De marca...


Em Hollywood o Diabo veste Prada mas, a julgar pelo último desmentido oficial, ali para os lados da Cinecittà, a marca é outra, porque o Papa prefere Gucci.
(modificado)

Imagem:Web

28/06/08

O momento Zen das sextas-feiras

Todas as sextas-feiras, a hora do jantar, espaço apenas aberto aos que ainda jantam, tem desde há tempos o seu momento zen.
A pantalha fica toda iluminada e dá-se início a um ritual imperdível no templo de Queluz.
A Manuela Moura "Pulida", sim, porque se o Mestre Vasco é Guedes e assina Pulido, a sua discípula, que é Guedes, pode perfeitamente ser Pulida -já que ambos nunca foram nem são polidos-, vai debitando meia dúzia de questões (comando no som médio) aos temas previamente definidos pelo Mestre que comenta (comando no som máximo) e depois, passado o tal momento, despedem-se dos fieis e vão, os dois, ter com o Eduardo e a Constança enquanto soa o gong (comando no som mínimo) e entra a publicidade.

Está mesmo bem

O Senhor Silva, este que não o outro, está mesmo bem na Agricultura. É uma couve de Bruxelas.

Imagem: Web

27/06/08

A rosa e o cravo, o mi(ni)stério da agricultura, a fruta e os nabos, sobretudo os nabos.

A rosa vai alternando com a laranja o uso da cenoura e os bananas, a quem sai a fava, continuam a acreditar e depois ficam feitos num molho de brócolos, com um melão maior do que uma melancia que, sendo vermelha, se veste de verde, a cor da vagem que também é feijão como o frade das duas caras, que acena com a batata doce, mas dá a amêndoa amarga, enquanto alguns mangericos partem o coco rir e mandam às urtigas os nabos que se queixam que a vida é uma espiga, mas teimam em não ouvir o cravo.
É caso para dizer que se isto não mudar, qualquer dia acaba tudo à pêra.

Imagem: Web

26/06/08

Da concertação e das mentiras

No palco da governação que nos calhou em sorte, há meias verdades e meias mentiras; mentiras camufladas e mentiras descaradas; mentiras baixas e mentiras mesmo muito baixas e há também "concertações sociais", previamente encenadas por debaixo dos panos, com os artistas do regime, antes de serem trazidas à ribalta pelos farsantes do costume sob o aplauso, ora eufórico ora comedido, da critica "instalada" e a denúncia, mais do que repetida, de quem há muito se demarcou das sucessivas personagens mentirosas.

24/06/08

Aqui

.............. ..Foto: jrd
Descansar o bom cansaço na quietude deste canto chão de liberdade e paz, deste desafio em permanência dos silêncios de quem apenas deseja responder ao apelo telúrico e deleitar-se com a fruição estética da planura circundante.


21/06/08

O outro lado da crise (fim)

Apenas um último comentário sobre o outro lado da crise.
Não sei quem foi o Padrinho que escolheu baptizar a selecção de (quase) todos nós com o nome de "Viriatos", apenas sei que fiquei imediatamente com a pedra na chuteira, na do pé esquerdo, que é aquele com que chuto melhor, aliás, para ser sincero, com o direito sou coxo.
Não se trata de má vontade contra o pastor dos Hermínios, antes pelo contrário, o simples facto desse nosso antepassado ter resistido a um Império, merece a minha incondicional admiração.
A minha relutância resultou dessa designação me ter remetido para outros "viriatos" de má memória, aqueles que o "nosso" ditador enviou para integrar as forças fascistas na guerra civil de Espanha.
Curiosamente nessa expedição, comandada por um general, seguiram entre outros, 27 capitães, 35 tenentes, 11 (!) soldados e 2 capelães, enquanto na comitiva que esteve na Suiça, quem liderava era um sargento, os capitães eram apenas 5 e os restantes não tinham patente e não é do conhecimento público se havia algum ex-seminarista.
No primeiro caso os expedicionários, alguns requetés, estiveram do lado vencedor juntamente com os alemães da "Divisão Condor", enquanto no segundo sairam derrotados por outros alemães, felizmente, muito diferentes daqueles.
Lamento ambos os resultados, o de há setenta anos e o de agora.

20/06/08

Os hotéis do europeu

Porque é que a FPF esbanjou uma pipa de massa em hotéis de muitas estrelas para a selecção e restante comitiva, quando teria sido mais económico e sobretudo mais eficaz, reservar uns hotéis recatados para os árbitros?
De certo que não foi por falta de conselho dos amigos entendidos no assunto.

19/06/08

Três schnaps para ajudar a esquecer

Infelicidade lusa. A catarse colectiva chegou ao fim, depois de mais uma promessa por cumprir.
É-me difícil falar "à séria" das cores deste entrudo rectangular serôdio, em que os figurantes desfilaram de vermelho vivo, com vivo verde, para esquecer por uns tempos os malefícios do rosa. Refiro-me aos que por cá ficaram, como é óbvio.
Por isso e para abreviar, apenas consigo registar que o Filipe IV deixou cair a pose de Gauleiter e virou Cabo de ordens, antes de zarpar para a velha Albion, acerca da qual, segundo parece, conhece melhor a História do que a língua, ou não tivesse saído dele o sugestivo; Mata! Mata! Que era nem mais do que o grito entoado pelos exércitos de Sua Majestade, enquanto chacinavam as populações indefesas do extinto império.
Vai finalmente beber o chá, que lhe falta desde pequeno, ainda que preparado no samovar de um tal Roman Abramovich, com três cálices de Schnaps para ajudar a esquecer.

Fortalezas da modernidade


Os condomínios da Idade Média constituíam redutos normalmente inexpugnáveis onde a nobreza tinha a sua residência, sendo todavia concedido aos servos da gleba que se acolhessem dentro das muralhas circundantes, proporcionando-lhes assim a protecção necessária perante as frequentes arremetidas dos inimigos.


Em Portugal, hoje em dia, enquanto proliferam como cogumelos centenas de milhar de habitações devolutas, só os novos senhores têm direito a habitar nas Fortalezas actuais, para lá das pontes levadiças.
A par disso, os servos dos novos tempos, vivem em regime de total apartação, acantonam-se para cá das novas barbacãs, as mais das vezes, em autênticas cavernas suburbanas sobrelotadas, sujeitos à maior promiscuidade e à mercê de todas as violências.
Entrámos definitivamente no período medieval da nossa Modernidade.

Imagens: Web

18/06/08

Da Censura


Imagens: Wikipédia - Frontispício do Índex de 1581 e Hartmann Schedel: Liber chronicarum-Queima de livros
Passam hoje exactamente 437 anos sobre a data em que um efebo, de nome Sebastião, a quem deram um reino quando ele apenas tinha idade para a reinação, decidiu decretar penalizações para quem violasse as regras da censura, as quais iam desde a confiscação de bens, ao exílio e à pena de morte, para além da queima obrigatória das obras apreendidas, levada a efeito sob a supervisão dos representantes da ICAR.
A Censura inquisitorial tinha sido iniciada cerca de trinta anos antes pelo Inquisidor-mor Cardeal D. Henrique que foi também o grande mentor do soberano.
A eficiência dos métodos aplicados era de tal modo reconhecida, que Paulo V, um papa conhecido pela sua severidade e promotor do primeiro Índex romano, inspirou-se parcialmente no que se fazia em matéria de censura, em Portugal.
A partir daí, foi um ver se te avias, mudaram os métodos mas mantiveram-se os princípios, no nosso país, até ao tempo do ditador de Sta. Comba para quem, "politicamente, só existia aquilo que o público sabia que existia " e no Vaticano, até aos nossos dias.

16/06/08

Sim e Não

O que devia preocupar os portugueses não é o facto da Irlanda ter dito "Não" ao Tratado e Portugal -leia-se governo- ter dito "Sim".
O que devia preocupar os portugueses, é a circunstância da Irlanda ter dito "Sim" ao desenvolvimento e Portugal -leia-se governos- ter dito "Não.

15/06/08

Da ignomínia



de alguns "Criadores" de sensações obscenas, eles sim marcados de opróbrio por se venderem para que se venda.

Imagens: Web

13/06/08

De Lisboa, o Tratado já era e as marchas já foram

Porra pá! –Querem mesmo lixar-me a carreira política, até os Bono boomers estão contra mim!
Ainda por cima já passaram as marchas, mas os “marxistas” ficaram e vão continuar a desfilar.

Perder fora



A República da Irlanda que é um dos países que mais beneficiou com o auxílio da EU e evidencia os maiores índices de desenvolvimento, é também um país cuja população é inferior a 1% da de toda a União e no qual o único partido que defendia o “Não” representa menos de 2,5 do eleitorado, acaba, não obstante, de desferir um golpe mortífero no, até agora, putativo Tratado de Lisboa.
Uma das principais razões para a recusa dos Irlandeses, terá decorrido da circunstância do texto que constitui o tratado ser demasiado complexo e de difícil explicação.
O primeiro-ministro irlandês, defensor do “Sim”, respeitou os eleitores e perdeu a votação. Por cá o presidente do conselho, faltou à palavra, desrespeitou o povo, abdicou de jogar em casa e …acabou por perder fora.

Imagem: The Irish Times

12/06/08

The Irish daughter

The Irish daughter had not been to the house for over 5 years. Upon her return, her father cussed her:
-Where have you been all this time, you ingrate! Why didn't you write us; not even a line to let us know how you were doing? Why didn't you call? You little tramp! Don't you know what you put your Mum through??!!
The girl, crying, replied:
-Sniff, sniff... Dad... I became a prostitute...
-WHAT!!? Out of here, you shameless harlot! Sinner! You're a disgrace to this family - I don't ever want to see you again!
-OK, Dad - as you wish. I just came back to give Mom this luxury fur coat, title deeds to a ten bed-roomed mansion, plus a savings account certificate for 25 million. For my little brother, this gold Rolex, and for you, Daddy, the spanking new Mercedes limited edition convertible that's parked outside, plus a lifetime membership to the Country Club ...(takes a breath) an invitation for you all to spend New Year's Eve on board of my new yacht in the South of France, and...
-Now, what was it you said you had become?

The girl, crying again:
-Sniff, sniff... A prostitute, Dad... Sniff, sniff ...

-Oh! Be jesus! - you scared me half to death, girl! I thought you said "a Protestant". Come here and give your old man a hug!

How do you think this family is going to vote today?

10/06/08

Raça de gafe

Cavaco é um simples do ponto de vista cultural, sempre que lhe surge alguma situação que extravasa o esquema que as assessorias lhe “alinhavam” previamente, é certo e sabido que enfrenta dificuldades e, não raro, acontece asneira.
Porque, nem tudo é Economia, também existem as Artes, a História, as Ciências, a Literatura etc., atributos que deveriam enformar a condição de Presidente da República.
Não é o caso, já que, sempre que se vê confrontado com qualquer daqueles temas, é visível o seu desconforto e, por outro lado, quando decide, de moto próprio, abordar certas matérias, é notório o discurso factício que debita e denuncia a módica dimensão dos seus conhecimentos.
Serve isto para dizer que não se me afigura tão grave como parece estar a ser considerada, a gaffe (enquanto tal) da “raça”, a qual mais não é, do que uma manifestação comum a quem não vai além da cultura de almanaque -se era assim que se dizia, qual é o problema em repetir?
Trata-se, aliás, de uma evidência que não deixa de fazer sentido, para quem as mudanças de registo e as alterações ao discurso, coincidentes com a realidade histórica, são detalhes completamente desvalorizados, que passam a latere do seu quotidiano.
Resta-nos apenas aguardar que alguém da entourage lhe possa sugerir o LOP, Livro de Origens Português, que permite adquirir conhecimentos acerca da pureza da raça e da linhagem dos portugueses desde os seus antepassados, aquilo que, quando se trata de animais, se chama Pedigree.
Apostila: Sobre o problema das transportadoras e outros, parece-me perfeita a sintonia entre os Presidentes da República e do Conselho, aliás, não é por acaso que estão os dois onde estão.

09/06/08

O Bispo e a fome

O D. Manuel Martins, ex-Bispo de Setúbal, recuperou o discurso de denúncia da fome que grassa em Portugal, que já havia proferido nos anos 80/90, em pleno consolado cavaquista e foi mais longe ao juntar a sua voz aos largos milhares de cidadãos, que têm protestado contra a revisão em curso do Código Laboral.
Este facto é, só por si, demonstrativo da situação deplorável em que, ciclicamente, este país se habituou a viver, em função das sucessivas opções políticas da governação e dos modelos de desenvolvimento adoptados.
Se há vinte anos, a sua denúncia ainda lhe valeu um almoço de carapauzinhos fritos com arroz de tomate em S. Bento, não é de prever que a ementa se repita agora. Nem a ementa nem o almoço, porque o actual Presidente do Conselho, não dá nada a ninguém, quanto muito um convite para um jogging matinal, o que, convenhamos, não deve fazer o jeito do prelado.

08/06/08

Expectativas


Foto: Um negro usando um bebebouro para "gente de cor" em Oklahoma City, Oklahoma, em 1939.


Cerca de 50 anos depois do Tribunal Supremo dos Estados Unidos ter tomado a decisão de acabar oficialmente com a segregação racial no país, o Partido Democrata está prestes a fazer História ao escolher o primeiro negro para concorrer à Casa Branca.
Tal escolha, coroa a extraordinária campanha de um político, que era praticamente um desconhecido do grande público há pouco mais de um ano, na qual usou a internet, uma grande capacidade de organização e uma retórica brilhante que remete para os oradores do movimento negro pelos direitos civis, para gerar uma onda de entusiasmo que o levou à vitória sobre a franca favorita, a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton que, juntamente com o marido, o ex-presidente Bill Clinton, controlavam a maior parte da máquina partidária antes de serem derrotados por este senador em primeiro mandato.
Não obstante o racismo e da discriminação persistirem nos Estados Unidos, Obama foi capaz de construir uma frente que juntou o entusiasmo dos jovens e garantiu apoios junto dos democratas mais favorecidos e educados, que se deixaram seduzir pelo slogan do Yes We Can, pelas promessas de pôr fim à guerra do Iraque e de acabar com a prisão de Guantanamo, para além de promover uma reforma completa da política doméstica e externa dos Estados Unidos, depois de dois mandatos desastrosos de George W. Bush.
Mas a escolha do Partido Democrata é tanto mais extraordinária quanto, há apenas cinco décadas, nalgumas regiões dos Estados Unidos - especialmente no Sul - a segregação entre brancos e negros era a política oficial. Só em 1954, na famosa acção Brown vs. Board of Education, o Tribunal Supremo do país eliminou oficialmente a segregação nas escolas.
Acresce que a designação de Obama acontece dois séculos depois da proibição do comércio de escravos nos Estados Unidos.
Acima de tudo, Barack Obama representa a possível mudança de geração no comando do país e, por arrastamento, do mundo. O senador, se for eleito, assumirá a presidência com apenas 47 anos. Pode parecer incrível, mas todos os norte- americanos com menos de 19 anos de idade só conhecem a Casa Branca ocupada por um Clinton ou um Bush, o que, convenhamos, é demasiado redutor.
Não experimento euforias desmesuradas, nem coloco a fasquia demasiado alta, mas admito que mantenho expectativas qb na sua eleição e apenas desejo que as mesmas não saiam defraudadas, já que não se me afigura haver muito mais tempo para novas experiências .

07/06/08

Já chega


Não basta apontar-lhes o dedo, já vai sendo tempo de tirar o tapete aos políticos incompetentes, aos religiosos deformados, aos traficantes de sonhos e aos vendedores de ilusões, que há muito se passeiam impunemente no imenso recinto desta feira cabisbaixa em que vivemos.
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05/06/08

200 mil

Foto: Site RTP

Sinais impressivos para quem (diz que) não se impressiona...

Poeta-poeta


Não o vejo como um politico-poeta e já não o consigo ver como um poeta-politico. Apenas o vejo como um Poeta-poeta, um dos maiores.
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Gentle Breeze Gentle rain


Gentle Breeze by Lou Reed with Laurie Anderson
(Down with tyranny)

A bona fide song oferecida por Lou Reed e a sua companheira Laura Anderson, para fazer parte de uma gravação a favor da educação pré-escolar nos Estados Unidos.



04/06/08

A útima viagem é para "Loserville"


É com "Resignation" à vista que se chega a "Loserville".

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La liberté que je m'accorde...


........................Kazimir Malevich: Carré rouge (composition suprématiste)

A liberdade que a mim próprio dou para fazer o que faço aqui, é a mesma que me faz sorrir fraternalmente a todos que, diferentes entre si, imaginam cenários que não consigo ou não tenciono pintar.
É a que me permite definir a cada passo o meu espaço, o meu tempo e o meu modo e cindir as fronteiras –ou a ausência delas, aonde me devo movimentar, sem me afastar demasiado.
É a que me faz entender que, quando um homem se põe a pensar por ele próprio, mesmo que se engane, não compromete ninguém e nunca se sente embaraçado com os embaraços, assumidos ou não, dos outros.
É, também, a que me levou, desde há muito, a permanecer indiferente aos que, por necedade ou má fé, pretenderam aflorar cumplicidades inconvenientes.
É a liberdade que está, continuadamente e sem tergiversações, do lado onde eu estou, sempre estive e certamente estarei.

03/06/08

Alô! Alô! - Daqui fala o Fisco


Agora que o Fisco decidiu contactar telefónicamente os contribuintes devedores, será que a chamada vai ser paga no destinatário?
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02/06/08

Baixa Autoridade

O último post ou, como diz BS, todo o fim é um recomeço, por isso, até sempre.
Até sempre.

01/06/08

Nova fantasia para o cavalo imaginário de Prévert e a mula da cooperativa, o azar do Patinha e o flan.



(Ler devagar)

Sobe o pano:

Longe do último Tango e incapaz de conter o azedume, quase a roçar o melhor estilo pimba, Menezes, decidiu antecipar a peixeirada da lota de Matosinhos e pumba! Espumou e resmoneou de raiva:
-Sou um homem de carácter! Um democrata! Muito diferente daquela canalha protagonizada pelo barbas da quadratura.
Este, também conhecido por Pacheco, estonteado como estava após ter exercitado um pino que lhe permitiu recuperar a imagem correcta da bandeira, recusou ripostar, balbuciando atabalhoadamente: -Não sei responder nessa linguagem. -É para admirar, vindo de quem sabe de tudo-.

Já o Ribau, protestou: Sou um preso político! Imaginou-se em Peniche e Caxias e, parece recear que, se não o tirarem rapidamente do cargo, ainda pode acabar no Tarrafal.

Entretanto, cá por baixo, os elitistas, sulistas e outros a acabar em “istas” como arrivistas e populistas, entretinham-se a fazer o balanço da jornada:

O Angelo, exibindo o tradicional ar paternalista, indagava do Passos: -Já tinhas sido punido antes? E este respondeu: -Não, só depois!... e virando-se para o seu mentor, perguntou com visível ansiedade: -Que tal me portei?
-Muito bem!
Retorquiu o Ângelo, com a ênfase que todos lhe conhecem, enquanto calcava o Narguilé das "suas" arábias, com uma tacha de cabeça larga -é inesgotável o seu stock de pregos. -A tua performance foi fantástica, quase parecias uma lebre. Este, agradado com a cenoura, atreveu-se a perguntar:
-Atão e agora o que é que eu faço?
(E o Patinha ansioso, sem ter resposta: -Chamaram-me?...)-Por enquanto nada, o Pedro vai andar por aí, só tens que esperar que a velha dama caia, porque eu vou dar-te uma nova sota na altura própria.

E o Santana, apesar de cabisbaixo e meditabundo, ia tranquilizando as hostes, na pessoa do fidelíssimo escudeiro de estimação Pinto Pança, dizendo:
-Não te assustes que ainda não é desta que vais ter de trabalhar. Ao que aquele, depois de um profundo suspiro de alívio, já que, como costuma dizer, na única vez que trabalhou, perdeu um braço e, só aqui para nós, ainda tem os dois, retorquiu sorridente.
-O que vamos fazer atão?(De novo o Patinha, em vão: -É comigo?...)
E o Santana, exibindo aquele ar factício que lhe faz moldura, informou:
-Ainda estou a pensar. Acabei de falar com o médico e ele disse-me que eu não ia ter vida fácil, mas respondi-lhe logo que isso era difícil...
Foi então que outro dos fiéis, o Raul neotripeiro e ex-alentejano, sugeriu:
-Porque não aproveitas os dotes de melómano e te dedicas à música, durante os tempos mais próximos, para ganhares novo alento?
E o Santana, após uns instantes de reflexão, rematou:
-Boa ideia! Vou começar a tocar violino. Diz aí ao Bota para organizar uma tournée no Algarve, agora que o Verão está a chegar, que eu deixo-o actuar na primeira parte dos concertos e fazer jus ao nome de deputado-cantor e ganhar umas lecas para comprar um postiço em condições.
-Mas tu és capaz de tocar violino?
-Não sei, nunca experimentei! Mas vou à feira do Parque comprar a obra completa do Frederico e depois, com a facilidade que tenho para improvisar, alugo um Stradivarius e arranco para a estrada.
-Espera aí! Quem é esse Frederico? Tem uma barraquinha na feira?
-Santa ignorância! Não digas baboseiras, o Frederico é o Chopin e escreveu um livro de pautas.
-Um livro!? Mas tu já tens um.
-Pois tenho, oferecido pelo meu grande amigo brasileiro Machado de Assis, a quem enviei um cartão de agradecimento. Mas dois livros numa estante nunca são demais.
-Atão e nós? 
(Diz oPatinha, cada vez mais desanimado: Vocês o quê?)
-Vão os dois comigo e acompanham-me, um à pandeireta e outro aos ferrinhos.
-Mas isso é cansativo?
-Não custa muito, além do mais é só enquanto durar a silly season.
-E depois?
-Depois, devolvo o instrumento, mas fico com a vareta
(leia-se arco) que é o meu forte, e vão ver o tratamento que cá o menino vai dar aos cavaquinhos.


Mais longe, na Vigia, o Sr. Jardim, preocupado com o último caldinho do Joe, dá sopa na nova “chefe” e abandona a copa dizendo para o seu fiel jardineiro, Neanderthal Ramos: -Guarda a ferramenta na arrecadação da gruta, porque ainda não é desta que vais desentupir os autoclismos do palacete da Lapa e arranjar espaço para o que se seguir, nunca se sabe se ainda me vai tocar a mim.

No meio de toda a bagunça, ninguém deu por falta do Mendes que justificou a ausência alegando: -Os acontecimentos não estão à minha altura.
À margem, de certa maneira, da teia conspirativa, a recém vitoriosa e babada Vóvó Manela, telefonava excitada para Belém:
-Atão, está mais tranquilo!?(Outra vez Patinha, debalde: -Quem, eu?)
-Sim senhora, (desta vez o género está bem aplicado) Parabéns! E já agora também pelo nascimento do seu neto.
-Ah obrigada! O que me vale é que o meu netinho está no estrangeiro, senão, não sei como é que poderia tomar conta dele durante o dia, com a falta de creches que por aí vai, por culpa do Sócrates.
-Calma aí! –Deixe lá o Sócrates sossegado, a cozer em banho Maria, porque isto ainda não está em ponto de rebuçado para o tirar da forma..
(Maria, em voz off, vinda da cozinha: Espera só mais um bocadinho que o flan está quase.)
-Quer dizer que eu não vou combater o fogo?
-Claro que não. Deixemos isso para o Rui Rio, que há-de vir por aí abaixo de mangueira e machado em punho para, com a ajuda do companheiro voluntário da Marmeleira, atacar tudo o que estiver a arder, se ainda restar alguma mobília.
-Atão está bem.
(Responde o Patinha: Bem obrigado!)
Finalmente houve alguém lhe respondeu, crê-se que o Liberato, baixinho, como só podia: Qual bem obrigado qual quê!? Está mas é calado! Vieste parar aqui porque o GPS se avariou, mas não te safas de pagar as multas por excesso de velocidade.


Alheios a toda esta rábula, o Cavalo de Prévert e a Mula da cooperativa decidiram partir de férias e alugaram uma cavalariça, em regime de forragem completa, nas dunas de Porto Santo, prometendo ao infeliz do Patinha que lhe enviariam um postal ilustrado.
Cai o pano, com estrondo, em cima do contra-regra, que é aquele senhor de passo apressado, que anda sempre de um lado para o outro, vai com todos e está em todas, mesmo quando não é preciso, que era o caso. Foi mesmo azar.