.............Communication breakdown.............Foto: Andrew Myers
Naquele dia tinha-me levantado mais cedo do que o normal e, como de costume, fui estendendo o sono até ao duche, só depois é que acordei de vez, já me palpitava um dia com contornos aziagos.
Liguei o rádio e logo escutei a notícia de que a PT antecipava a distribuição de dividendos resultantes dos lucros obscenos, para evitar o pagamento dos impostos. Irritado, engoli o pequeno-almoço e, de pronto, sai para a rua.
No quiosque fronteiro, por cima de um ombro, vi que um tablóide anunciava em grandes parangonas a posição da PT. Um verdadeiro escândalo.
Chegado ao café da esquina, lancei um olhar de soslaio para a pantalha e lá estava a locutora, com ar de boneca insuflável, a debitar a mesma notícia insultuosa, parecia de propósito, senti-me gozado e percebi de imediato que esta afronta iria ser seguida pelos 'patriotas' dos grupos empresariais do costume.
Bebi a bica de um trago e saí de telemóvel em punho, decidido a dar a mim próprio a última oportunidade.
Liguei para casa. Tocou, tocou, tocou... Ninguém atendeu. Esperei mais uns minutos e insisti. Tornou a tocar e a tocar e a tocar... Nada. Não adiantou. Eu não estava. Nunca estou para atender o telefone fixo.
E disse basta! Nem sequer deixei mensagem, regressei a casa, peguei numa tesoura e cortei o fio do telefone.
Apostila: Já por aqui estava quando escrevinhei esta croniqueta e, só depois, tomei conhecimento de que um antigo "Boss" dos patrões, figura lúgubre, de olhar glacial, sorriso alvar e discurso sinistro, defende e justifica a adopção daquela posição iníqua.
Preparem-se pois, preparemo-nos todos, aí estão eles de volta. O Sócrates abriu-lhes a toca (ou terá sido o covil?) e o Coelho vai fazer de lebre.














