Faz tempo que um efebo, de nome Sebastião, a quem deram um reino quando ele apenas tinha idade para a reinação, decidiu decretar penalizações para quem violasse as regras da censura, as quais iam desde a confiscação de bens, ao exílio e à pena de morte, para além da queima obrigatória das obras apreendidas.
A Censura inquisitorial tinha sido iniciada cerca de trinta anos antes pelo Inquisidor-mor, o Cardeal D. Henrique, que foi também o grande mentor do soberano.
A Censura inquisitorial tinha sido iniciada cerca de trinta anos antes pelo Inquisidor-mor, o Cardeal D. Henrique, que foi também o grande mentor do soberano.
Vem esta referência a propósito do que, paulatinamente e sob desígnios obscuros, se instalou na Tugalândia, em matéria de manipulação e controle dos média e despedimentos ignóbeis de jornalistas ou na proibição de publicações e obstrução a reuniões.
É certo que poderia ter recorrido a referências mais recentes, como casos que ocorreram no tempos plúmbeos dos coronéis salazarentos e esclerosados e das perseguições arbitrárias a muitos profissionais da comunicação.
Mas não, preferi recuar uns séculos, para dar mais ênfase a este mal atávico, ao verberar os actuais cultores da interdição discricionária e da informação pela deformação.
Gente de módico estofo e puritanismo bacoco, personagens residuais da Democracia, de azul no blazer, exímios no lápis do “corta” ou na imposição do "cala", que, num tempo de novo propício à censura, se prestam a servir de muleta a este poder manco e perverso.
Gente de módico estofo e puritanismo bacoco, personagens residuais da Democracia, de azul no blazer, exímios no lápis do “corta” ou na imposição do "cala", que, num tempo de novo propício à censura, se prestam a servir de muleta a este poder manco e perverso.



