A propósito da réplica -mais do que estafada e ridícula- de Cavaco Silva à
pergunta de Mário Soares "Porque é que o presidente da república não é julgado?", não posso deixar de sublinhar que o presidente,
não referiu a sua condição de accionista e “investidor” no negócio
BPN/SLN, preferindo usar a modesta e corriqueira expressão de
depositante.
Vejam só. Ele que, sempre que tem
oportunidade, gosta de armar ao importante e repetir com a
pesporrência e a soberba denunciadoras da sua condição de
provinciano presumido e bacoco, que foi «investigador» na
Gulbenkian, ignorando até que o auto-elogio se transforma normalmente num
vitupério.
É que, se atentarmos bem, a diferença entre as duas actividades é
mínima, apenas uma simples sílaba, um “ga”, coisa de somenos. No entanto,
quando lhe convém, o Professor Aníbal tem intermitências na
jactância, que, aliás, cultiva como poucos.
Mas voltando ao seu passado de investigador narcisista e sem considerar outras especulações pouco abonatórias,
que por aí circulam acerca do assunto, não consigo imaginar as ditas
“investigações”, para além de um contexto meramente ficcional.
Assim sendo, atrevo-me a deduzir que a citada “actividade” do especialista em finanças, não foi mais do que uma tentativa de avaliar o
impacto negativo provocado, ao tempo, no equilíbrio financeiro da
instituição, na sequência do desaparecimento das jóias da
colecção Lalique expostas no museu, às mãos do infame Silvino
Bitoque, o tal que, depois de ter traído o chefe Renato, o Pacífico,
deu de frosques com o produto do roubo, até ser abatido
ingloriamente com o saco do saque nas mãos e uma bala no traseiro,
como nos descreve Mário Zambujal, naquela deliciosa e rocambolesca
ficção, notável pelo humor e pelo ritmo, “A crónica dos bons
malandros”, que termina com o Arnaldo Figurante a mastigar um bolo
de chocolate enquanto (acrescento eu) de boca escancarada, exibia
despudoradamente as amígdalas, numa antecipação provocatória ao
grotesco episódio ocorrido mais tarde com o Professor
«investigador».
E dito isto, só resta acrescentar que a obstetrícia ainda não conseguiu o milagre de pôr no mundo alguém tão honesto como o actual presidente. Não há maneira de alguém nascer duas vezes.
E dito isto, só resta acrescentar que a obstetrícia ainda não conseguiu o milagre de pôr no mundo alguém tão honesto como o actual presidente. Não há maneira de alguém nascer duas vezes.
Apostila: Acham que a croniqueta é um pouco bizarra? Cá para mim é mais o efeito do jet lag (lol). Nem queiram saber o que representa uma hora de sono para mim!...