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27/08/16

As coisasque eu estou a aprender 11

Divertido mesmo é quando a avó chama o neto mais velho pelo nome do mais novo  e depois pede desculpa e ele responde com ar benevolente: Não faz mal vovô.

24/04/16

As coisas que eu estou a aprender 10

Disse o neto: Mamã, quando os meninos estão doentes é Sábado.
(Como é óbvio, não se trata de uma dúvida, mas sim de uma constatação lógica)

30/03/16

As coisas que eu estou a aprender 9

Quando lhe perguntei se já tinha visto no Jardim Zoológico, aqueles animais muito enormes chamados Dinossauros? 
Ele respondeu que não, porque só havia no tempo do avô do avô do avô do avô do avô --pausa para tomar fôlego-- do avô do avô do avô do avô... 
E continuou, mas eu fico por aqui porque, apesar da família ser muito antiga, este post tem limites temporais.

21/03/16

As coisas que eu estou a aprender 8

Foi quando o avião levantou voo do cinzento habitual e passou para além das nuvens, que ele viu o céu resplandecente através da janela e disse entusiasmado: Mamã, estamos em Lisboa!
Ao que a mãe respondeu: Não, não estamos, nós vamos para Paris.
Ele não desarmou e retorquiu: Sim, vamos para Paris, mas agora estamos em Lisboa. 
Coisas do Sol...

24/02/16

As coisas que eu estou a aprender 7

Quando lhe perguntei se já namorava, respondeu-me naquele misto de português-dane --que dispensa prefixos-- e disse que tinha uma "morada", a Yohanna, e mostrou-me a foto de uma menina lindíssima e loira, que também tem quatro anos. 
Entretanto, percebi logo que já têm apartamento...

03/08/15

As coisas que eu estou a aprender 6

O almoço era "Amêijoas à Bulhão Pato". Subitamente,  o neto, que já revela sinais de ser um excelente gourmand, disse com ar estupefacto: Mamã, olha, esta concha não tem animal!

20/06/15

As coisas que eu estou a aprender 5

Com a mãe e connosco, a língua é a de Pessoa. Já com o pai e os outros avós, opta pela de Molière. Com o irmão assume-se como mestre e usa ambos para dar continuidade ao processo evolutivo.
Nos solilóquios serve-se sempre do idioma local (no qual de preferência eu me calo). 
Traduz a pedido e diferencia quem lhe pede. Está um perfeito trilingue.
Mas, o mais interessante é que, um destes dias, fiquei estupefacto com uma saída notável e, verdadeiramente, inesperada.
Como os pais comunicam entre eles na língua de Shakespeare, aconteceu que o pai perguntou à mãe: “Where are the car keys?” logo ele se antecipou e respondeu de pronto, apontando a mesa da sala: “Elles sont la papa!”
Acredito que caminha vertiginosamente para se tornar num poliglota e já estou a pensar em sugerir-lhe aprendizagem do “sami inari”, que é um idioma falado na Lapónia Finlandesa e tem a maior palavra do mundo, só que duvido que seja recomendável para quem ainda não passou dos seis anos de idade

09/05/15

As coisas que eu estou a aprender 4

Aconteceu que alguém, inadvertidamente, sem que nos tenhamos apercebido (falha imperdoável), presenteou o neto, de três anos e meio, com um puzzle recomendado para cinco anos.
Ele tentou e voltou a tentar, conseguiu até alguns progressos, mas deixou de lado dizendo enfastiado: Não gosto deste, é um bocadinho "difácil"!

03/05/15

As coisas que eu estou a aprender 3

Vovô, vovô! Está uma lagosta pequenina e preta na janela...

22/12/14

As coisas que eu estou a aprender 2

Delicadamente retirou a pinha da árvore de natal e levou-a para junto dos outros brinquedos. Foi então que o pai lhe disse: Va remettre la pomme de pin.
Quando lhe perguntei o que tinha na mão, o neto respondeu simplesmente que era a maçã de pão.

19/12/14

As coisas que eu estou a aprender 1

Alice não tem barco! Disse o neto com aquela vivacidade inesgotável que o acompanha entre o acordar e o adormecer. E insistiu.
Tentei situar-me, enquanto me interrogava repetidamente, mas algo teimava em falhar na minha perspicácia. Não na dele que, adivinhando a minha reacção hesitante, logo exibiu o brinquedo que segurava nas mãos. 

Foi então que me apercebi que o barco não tinha hélice.