Ortofrenia
Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite
a secreta alegria por escadas de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
aclamações
porque outra coisa é indubitável: não se ouve ninguém
Mário Cesariny In: Pena Capital
Apesar do ruído em volta ou talvez por isso...
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23/01/11
14/01/11
08/01/11
Saturday evening LXI
Rafael Alberti y Paco Ibáñez - A galopar
Labels:
Os meus poetas,
Paco Ibañez,
Rafael Alberti,
Sonoridades
03/01/11
Tant de forêts... / Tantas florestas...
Tant de forêts...
Tant de forêts arrachées à la terre
Et massacrées
Achevées
Rotativées
Tant de forêts sacrifiées pour la pâte
à papier
des milliards de journaux attirant annuellement l´attention
des lecteurs sur les dangers du déboisement des bois et
des forêts.
Tantas florestas...
Tantas florestas arrancadas da terra
e massacradas
arrasadas
rotativadas
Tantas florestas sacrificadas para virar pasta
de papel
milhares de jornais chamando anualmente a atenção dos
leitores para os perigos do desmatamento dos bosques e
das florestas.
Jacques Prévert (tradução de Silviano Santiago)
Tant de forêts arrachées à la terre
Et massacrées
Achevées
Rotativées
Tant de forêts sacrifiées pour la pâte
à papier
des milliards de journaux attirant annuellement l´attention
des lecteurs sur les dangers du déboisement des bois et
des forêts.
Tantas florestas...
Tantas florestas arrancadas da terra
e massacradas
arrasadas
rotativadas
Tantas florestas sacrificadas para virar pasta
de papel
milhares de jornais chamando anualmente a atenção dos
leitores para os perigos do desmatamento dos bosques e
das florestas.
Jacques Prévert (tradução de Silviano Santiago)
21/12/10
"Tranglomanglo"
Mário Viegas - Mário Cesariny: Xácara das 10 Meninas (ou o "t(r)anglomanglo")
Labels:
Mário Cesariny,
Mário Viegas,
Os meus poetas,
Surrealismo
05/07/10
Cidade-Mãe
Mesmo quando se está longe e se está bem, há uma coisa que nunca esquecemos, a cidade que trazemos nos genes.
Lisboa é a minha Cidade-Mãe, a cidade que amo acima de todas.
Com a devida vénia e um abraço, aqui fica um belíssimo poema de um grande Poeta.
Se não fosse esta luz, tu não serias
Lisboa mas o eco de outro nome
feito de letras tristes e sombrias
como são as da peste e as da fome.
Se não fosse este Tejo, não te verias
luminosa no espelho e o teu rosto
cansado e baço de todos os dias
seria a mera imagem do desgosto.
Mas, Lisboa, tu és a claridade
que se dispara contra a solidão
e por isso o teu nome de cidade
é o meu modo de dizer paixão.
Torquato Da Luz
Lisboa é a minha Cidade-Mãe, a cidade que amo acima de todas.
Com a devida vénia e um abraço, aqui fica um belíssimo poema de um grande Poeta.
Se não fosse esta luz, tu não serias
Lisboa mas o eco de outro nome
feito de letras tristes e sombrias
como são as da peste e as da fome.
Se não fosse este Tejo, não te verias
luminosa no espelho e o teu rosto
cansado e baço de todos os dias
seria a mera imagem do desgosto.
Mas, Lisboa, tu és a claridade
que se dispara contra a solidão
e por isso o teu nome de cidade
é o meu modo de dizer paixão.
Torquato Da Luz
19/01/10
Ary dos Santos
Epígrafe
De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.
De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.
Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
... expressão da multidão que está comigo.
De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.
De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.
Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
... expressão da multidão que está comigo.
Morreste "ontem" mas é hoje que faz anos, vinte seis, que te ofereci um cravo vermelho.
10/09/09
Heróicas

Que me importa cantar!
Eu não sou poeta de canções
para embalar
ninhos nos corações.
Sou este ímpeto de gelo de lâmina
que se levanta mudo
diante de tudo.
(E quem me impede
de ter alma e sede?)
Mas quando canto
-as minhas canções ásperas
de vagabundo
sabem ao espanto
dum rio sem foz...
E na minha voz
sangra o desespero do mundo.
Vais morrer, com a saia rota,
sem flores nos cabelos...
- mas isso que importa
se depois de morta,
até as mãos da terra
hão-de florescê-los?
Vais morrer, de blusa no fio,
sem laços nas tranças...
- mas isso que importa
se depois de morta,
até as mãos do frio
penteiam as crianças?
Vais morrer, espantada na rua,
sem fitas nos caracóis...
- mas isso que importa
se, depois de morta,
até as mãos da lua
enfeitam os heróis?
Vais morrer, com olhos de águia presa
e meias de algodão...
- mas isso que importa
se, depois de morta,
a tua beleza
não caberá no caixão...
e há-de rasgar a terra
e romper o chão
como uma primavera
de lágrima acesa
que os homens atiram em vão
para a natureza...
Ouve, primavera: não te atrevas
a sair das rosas para o mundo.
Não venhas arrepender a beleza fácil
este meu instinto
-tão contra mim-
de morrer nas barricadas dos outros
pela beleza impossível do futuro.
José Gomes Ferreira
In: Poesia I
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