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21/04/14

Olho no prato

                                                                   René Magritte: The Portrait 

 O médico recomendou-me que vigiasse as refeições.

19/03/14

O que farei eu aqui, logo a seguir a tanta gente boa?

Na pátria lugar de exílio, há um tempo em que a gente às vezes canta para sentir-se existente mas, como as coisas visíveis podem sempre esconder outras coisas visíveis, fiquem bem. Boa noite. Eu vou com as aves.
– O horizonte está onde estão os nossos olhos, o pensamento cada vez mais próximo.

24/12/13

Boa noite!


.................                         René Magritte: The Empire of Light

The Empire of Light. Uma pintura espantosa, uma poesia: O claro e o escuro, o dia sobre a noite, o movimento na quietude, a possibilidade do impossível.

          
       Eleni Karaindrou: Adágio

11/03/13

Dos fumos

Ontem domingo, fui visitar uns amigos aqui de Copenhaga e a certa altura alguém disse: Por favor não respirem, porque vou fumar!
Perante tamanha deferência; eu, que recuso sempre passar por antitabagista primário, acedi de bom grado... 
Como podem concluir, entre outros temas que me incendeiam a mente, falou-se de fumos e, claro, os meus cachimbos vieram à baila, ainda que, para mim, esse velho ritual tenha deixado de fazer sentido e apenas a memória da volúpia permaneça acesa.

A propósito, uma vez de regresso, vou ter de os limpar do pó com o cuidado habitual, dar-lhes o indispensável banho de gordura e voltar a colocá-los na estante onde se sentem muito bem acompanhados.
Aliás, não foi Magritte que falou da reabilitação dos objectos?

Apostila: Já que não tenho o gosto de uma boa cachimbada, não dispenso o prazer de uma inofensiva "provocação" a alguns Amigos...

09/01/12

Das partidas

                                                                  René Magritte

Magritte
Parto pela porta antes que venha a tropa
pela porta o rapto
pela porta o parto
optar pelo trapo
é topar o prato
na porta.
Alexandre O'Neil

No país surreal: Ontem partia-se antes dos vinte para não ir à tropa, hoje parte-se antes dos trinta para não ficar no trapo.

14/10/11

Hein?!

                        René Magritte - "Difficult crossing" Bert Martin dig. art

Quando o "bons tempos hein ?!" dava os primeiros passos, pessoa amiga sugeriu que ao blogue bastava o nome de "hein?!", já por si suficientemente sarcástico.
Confesso que hesitei e estive prestes a mudar  o título, mas acabei por ceder à ideia inicial e assim ficou.
Acontece que nos "tempos" que correm, as  minhas elucubrações estão a ficar tão evanescentes que quase se dissipam no cruzamento dos dias.
Sinto necessidade de escolher outros ritmos e estabelecer pausas retemperadoras.
Por consequência, até um dia destes, sempre que puder e der jeito, vou "voltando", postando e comentando por aqui e por aí. Hein?!...

31/05/11

Des orateurs

........................................René MagritteCeci n'est pas un orateur.

Aqui os oradores.
Alguns são campeões
provinciais. Outros
são olímpicos. Outros
não são nada,nem sequer
oradores.
Nicolás Guillén

23/02/11

René Magritte

........Le Jockey Perdu
René Magritte nasceu em 1898 e morreu em 1967. A partir de Le Jockey Perdu, "encontrou" o Surrealismo, mas, ao ser classificado de surrealista, reagiu e disse que usava a pintura com o objectivo de tornar visíveis os seus pensamentos.
Tendo sido de facto um surrealista, Magritte foi também um pensador.
Os seus trabalhos, sempre complexos, obrigam ao raciocínio, à interpretação e ao estudo.
Um quadro de Magritte não pode ser simplesmente visto, é necessário pensá-lo; não é para ser admirado, deve ser objecto de reflexão e ponderação, porque o sentido está muitas vezes escondido e é alvo de segundas e terceiras interpretações.
Muitas das questões acerca da sua obra ainda permanecem por esclarecer, já que o pintor nunca deu respostas claras acerca do seu significado.
Pinturas como La reproduction interdite ou Golconde são alguns dos exemplos desta aura de mistério. Para ele tudo o que vemos esconde outra coisa e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos.

...........,...
...Reproduction interdite -.......................................Golconde

Chamaram-lhe pintor cerebral e apelidaram o seu estilo de "visual thinking".
A pintura surrealista de René Magritte tornou-se uma referência do século XX, mas foi quase no final da sua vida que começou a ser apreciada pelo grande público.
Hoje, pinturas como "Golconde", La trahison des images" ou "Le fils de l'homme" fazem parte da cultura popular e ajudaram a mudar a percepção da arte surrealista.

........
............La trahison des images-------------------- - ...............Le fils de l'homme

O seu trabalho tem sido re-interpretado por artistas modernos. O músico Rufus Wainwright é um deles e no seu vídeo Across The Universe (2002) mostra Dakota Fanning rodeada de homens de chapéu de coco e gabardina, estáticos no ar, numa semelhança evidente com "Golconde".


Rufus Wainwright - Across The Universe

31/12/10

Imagem para 2011

...............René Magritte: Mona Lisa (Musée Magritte-Bruxelles)

René Magritte está indelevelmente ligado aos meus blogues. Foi ele que, ao longo de todos estes anos, me sugeriu que as coisas visíveis podiam esconder outras coisas visíveis, como sempre fez com a sua pintura.
Um dos raros espíritos da nossa época que elevou a transcrição pictural dos seus mitos até ao sublime, para quem a pintura era um meio de comunicar aos outros os segredos profundos da sua alma e dos seus pensamentos reflexos dos mitos colectivos.
René Magritte é o meu Pintor surrealista favorito. Sou livre do interpretar...

Para todos, votos de um Ano Novo muito feliz.

01/09/09

Do La pipe

.............René Magritte: La trahison des images *

Faz cinco anos desde que decidi iniciar-me na aventura bloguística e criei o meu primeiro blogue: La pipe.
E porquê La pipe?!
Tinha decorrido algum tempo, pouco, após um sujeito de aparência delicada me ter abordado à saída do comboio na gare do Aeroporto de Kastrup e se ter disponibilizado para ajudar a retirar a bagagem e colocá-la no carrinho, que a levaria ao check-in.
Distraído como é hábito estar, não hesitei minimamente em aceitar a gentileza e dois minutos depois tinha sido roubado, i.é, a minha simples maleta de mão já tinha levantado voo nas asas do desejo, de ganhar o dia, de um "nórdico moreno e de bigode", que mais não era do que um qualquer imigrante sazonal em Copenhaga, “especializado” em aliviar viajantes desprevenidos.
Para além de uma reprimenda monumental de âmbito familiar. Aconteceu que, entre outras coisas sem importância, fui espoliado de dois dos melhores cachimbos da minha estimada colecção, que havia previamente seleccionado para aquele dia, além de parte da panóplia de acessórios essenciais ao cumprimento do ritual quotidiano de fruir umas boas cachimbadas, e, também, dum livro curiosíssimo sobre a maneira como os estrangeiros vêem os Danes, que me preparava para ler na viagem.
Foi tão grande a decepção que, logo ali, resolvi tomar duas decisões: Uma de efeito imediato, que nunca mais iria usar maleta de mão e outra, projectada num futuro próximo, que iria deixar de fumar.
Pouco tempo depois, mandei os fumos às ortigas e reuni os outros cachimbos em várias taças decorativas, que passaram a alternar espaços com os livros que povoam as estantes cá de casa e em relação aos quais, "apesar de alguns também já terem voado", não há hipótese alguma de acabar com o vício.
Foi assim que me lembrei de Magritte e da sua reabilitação dos objectos, que inspirou o título daquele blogue pioneiro.
A partir de então, os meus objectos de culto passaram a figurar, lado a lado, sob formas diferentes: uns estáticos, os Cachimbos, ainda corporizados em raiz de nogueira e cerejeira, mas que há muito perderam o dom da volúpia; os outros, os Livros, prenhes de movimento e vertigem, feitos de lombadas e páginas mil vezes manuseadas.
Os cachimbos representam somente aquilo que já foram, os livros constituem a presença viva de sempre e o La pipe interrompeu a sua publicação e figura agora na memória do(s) "bons tempos hein?!".
* Imagem do título

02/03/09

Magritte

................. René Magritte: The Empire of Light

«Todas as coisas ignoradas que vêm à luz, fazem-me acreditar que a nossa felicidade depende também de um enigma ligado ao homem e que o nosso único dever é tentar conhecê-lo.» René Magritte

René Magritte foi um dos raros espíritos da nossa época que elevou a transcrição pictural dos seus mitos até ao sublime.
A sua pintura não estabelecia diferenças entre o mundo do pensamento e a vida real, entre o imaginário e o material. Para ele a pintura era um meio de comunicar aos outros os segredos profundos da sua alma e dos seus pensamentos, reflexos dos mitos colectivos.
The Empire of light é uma pintura espantosa, uma poesia: O claro e o escuro, o dia sobre a noite, o movimento na quietude, a possibilidade do impossível.
René Magritte é o meu Pintor surrealista favorito e está, como sempre esteve, presente nos meus blogues. Sou livre do interpretar...
Imagem:Web

18/12/08

The big shoe


É certo que o assunto está mais do que glosado, mas não sei qual é a novidade, nem vejo que o cenário tenha mudado substancialmente, porque desde há muito que W. trazia um dos pés na boca.
However, the shoe must go on, pardon me, the show must go on!
Imagem: Web ("Magritte"-Bush)

01/07/08

Outros ritmos


René Magritte - "Difficult crossing" Bert Martin dig. art

As minhas elucubrações estão tão evanescentes que quase se dissipam no cruzamento dos dias com a noites. É tempo de escolher outros ritmos.
Até um dia destes, sempre que puder vou "voltando" e postando e comentando por aqui e por aí.

31/05/08

Ah... Poeta!

Ah... Poeta! Também tu conseguiste perceber a cor dos sonhos de Magritte. Na “traição das Imagens” a suave lâmina das palavras.