«A dez quilómetros o fogo baila freneticamente, a solo, por entre as árvores, cujos corpos se contorcem ao ritmo crepitante das chamas.
No Largo do Pelourinho, a multidão agita-se, pula e grita em êxtase. A ressonância é tremenda e perfeitamente acompanhada pela dança das mãos, elas mesmas, a sentir as vibrações e a marcar a cadência imposta pelas cantorias de um qualquer Tony.
São os filhos e netos de um povo que há várias décadas se derramou na Gare de Austerlitz, que vieram de "vacanças" afrancesar o Verão da terra.
Cada vez mais perto, as chamas continuam coleantes num rodopio vertiginoso e avassalador, a prometer carícias a bombeiros e populares que, enlaçados às mangueiras, se vêem envolvidos numa outra dança, cada vez mais patética e terrível.
A Vilória segue no fim do verão, se até lá não arder. »
La Pipe: Agosto 2005
Pelas notícias que aqui chegam, a Vilória não ardeu -ainda, os Tonys e as vibrações continuam e são também as mesmas as mãos que se agitam, os bombeiros serão ou não...
Na dança do fogo, só as árvores mudaram e são outras as que as chamas abraçaram.